quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Consórcio da Porta


(conto)Consórcio da Porta
Pobrinha da Porta, a Porta fosse dos tempos dos velhos caboclos e estivesse em perspectiva negativa de casar e a temer a apavorante situação de virar tia; então a sociedade pobre e/ou rica não tendo com ela e suas iguais, diferentes, não tendo contemplação. Não. Não mesmo pois a Porta no aguardo de colocação estando no solo ali aqui perto no vizinho apartamento desocupado esburacado consagrado embora a mudar mudando o visual: enquanto na parede o buraco aberto exposto à espera da Porta, a dita e feita pronta ótima bela encostada alizinho aguardando os profissionais chegar trabalhar conversar também entre si, o radinho berrador a irritar a conversa deles num contar da família no fim de semana passada, esta segunda de preguiça não deixa mentir. Sim. Não, não pra titia, antes que isso isto: olha, será, decerto a pensar ela, será que meu noivo vai me 'dar os canos'!? e aqui a expressão mundana banal e de rua; de fato, olha agoniada que o prometido namorado noivo marido chegue.
Porém Assentamento, como todo macho perfeito inteiro sábio, como todo macho comum enfim, Assentamento não tem esse questionamento. Fica lerdeando em sua casa, casa da mamãe dona Madeira, a mãe a lhe pegar no pé: a roupa o asseio a hora, ai a hora... "filhinho vai perder a hora!" e a pobre Porta a lhe aguardar no buraco do templo e... Assentamento desliga a genitora, adverte o pente em seu labor se vai bem aquele caminhinho no separo da cabeleira, umas mechas teimosas a escorrer roçar os olhos e daí tome gelatinas e fixadores – o espelho! ah o espelho não suporta mais ver aquele macacoide se embelezando vaidoso; certo, por uma causa nobre mas...
Por fim Assentamento encontra-se na via pública dá com a mão o táxi para anda corre (quase o motor tem enfarte) chega.
O pároco – um trabalhador de conhecimento no métier; os outros operários ali prontos também – o responsável comanda a cerimônia os trâmites, ou seja a colocação concretada do moloide à parede, ela, a parede? a parede com ciuminho da Porta, ele, não é ela? que ela coisa alguma, ele Assentamento já não teme não treme não mais tímido tíbio no buraco aberto na parede; assim ele aquieta e aguarda por ela. Ela? Ela sim, a Porta. A Porta é encaixada posta no vão de Assentamento. Agora a Porta suspira um "até que enfim" exprobando 'titiagens' e 'solterices' mais.
E o fim, não tem fim afinal!?
Tem. Claro, tem. A Carochinha completa em adendo, e foram felizes para todo o sempre.
São Paulo   setembro  2019