(conto) Marcha
Marcha. “Acelerado, marche!” grita o homenzarrãozinho fardado
não-fardado, nada obstante a imprecisão do tempo, da hora, do homem, do
inadequado pensar no pensamento. E eles ouvem, ou não ouvem, havendo por bem as
ameaças da chefia no sentido da ordem, ordem sem sentido aos que acordaram
antes do sol nascer. Marche! insiste, marche. Marcha um mundo inteiro no mundo
e no mundo do imprevisível a assinalar os tacões no chão em fúria de invasão.
Ou não. Marcham e ecoam e infundem coturnos as preocupações os temores, e cada
vez mais nos medos concretos que desabam em suor em horror e em lágrima de
sangue, nem sempre de cor avermelhada nem sempre concreto num concreto de se
ver pegar manusear quiçá desprezar, podendo... Marche! E cheira à pólvora,
mesmo que virtual. O virtual que se esparrama por todo um orbe já de si
sofrível e sofrido; contudo não conseguindo ver se não fumaça; ainda inconsistente
mas com poder consciente que dá o medo do que se não enxerga e apesar disso uma
temeridade... Marcha, marcham indecisos batalhões se não visivelmente dirigidos,
guiados por mentes e forças imponderáveis; as do ódio e as da incompreensão
rumo a uma simples interrogação. Pior: liderados por uns seres loucos loucamente
administrados pelo tempo e mais ainda nesse menos – concentrando tudo num chefe
de tropa fora da proposta do seu tempo. Quem a apertar a ordem no teclado!
quando! quanto! onde! nunca sabendo o sofrido orbe. Nem medindo as consequências
do inconsequente. O resto, havendo resto é certo, o incerto na imprensa
metediça ou na voz rouca louca alta ao corpo em marcha; ou aquele ‘certo’ já
desfigurado na contramão na concentração num pelotão sem cérebro e automático à
grita dramatizada dum homenzinharrão. “Acelerado” grita a grita insistentemente
ao desaparecer das pedras sobre pedras.
Marília
fevereiro 2017