Estorieta
'Linda'
Quando
no seu quando, quer dizer naquele mundo; quando, o sujeito era sujeito de muita
vaidade na escolha do seu melhor. Por exemplo, se achava bonito. Não. Não isso,
mais que isso isto: belo, lindo mesmo. Deixava as meninas no sentimento de ser
lindo de morrer, expressão da época. Daí amadureceu 'envelhotou' e enfermou. O
hospital era lindo de morrer, na sua concepção; as enfermeiras e aquela
médica... aí não pisou na bola – expressão da época – porém morreu. Não. Não isso,
a morte só engana os trouxas e isto expressão da época. Vivo. Vê-se no velório,
uma festa linda de morrer. Festa, embora funérea. Daí (nessa época se repetindo
muito nas conversas "aí", então muda para:) daí os outros, sujeitos
igualmente sujeitos, levam-no em marcha cadenciada, fúnebre; levam-no ao buraco
da morada eterna, morada eterna bem uma expressão da época. Necrológio num discurso
enaltecedor, padre, povo e retalho do povo no entorno. Ah, o cemitério era lindo!
Lindo de morrer. Expressão dessa (daquela) e desta épocas.
São Paulo dezembro
2019