sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

(contolouco)Des-horas

          No dia anterior sequer olhara o novinho relógio – havia antes trocado um de bolso, dos antigões, por outro mais prático mais moderno mais belo e aqui não tendo certeza no acerto do erro visto o seu de uso anos de cordas, trocado pelo recente de pulseira e de pilha, aquele sendo feio e gasto, o gosto é que mudara – sequer examinara o novo novo velho (isto porque a atualidade adora no consumismo envelhecer atualidades...) sequer tirara o selinho de garantia, houvesse algum e alguma. Daí, no imediato dia, manuseou aquilo. Mas aquilo novíssimo destoou.
          Percebe então, aflito e lembrando o dinheiro despendido agora, nota algo atrapalhado; isto pra não dizer absurdo:
          A hora era a hora, pronto e lógico. Conferiu o relogião da matriz a badalar o sino absoluto; mui pouco absoluto e maismente relativo porque a torre acertada com o cronômetro do sacristão, ninguém tendo confiançona no homenzinho. Enfim certo com o possível errado.
          O ponteiro de minutos, pra frente e nos conformes, conforme se vê a girar mais rápido que a hora sessenta vezes a alcançá-la. Bem, nada extraordinário.
          Contudo a haste dos segundos não. Não! Não, pois aloucada deslocada 'marmelada' à vista sem vista grossa porém séria e com análise lógica, atenta. Atentou que a mesma girava nos segundos certos (o certo sendo sessenta vezes a alcançar a de minuto, este preocupado a alcançar por sua vez a de hora:) Girava certo, errado na direção.
          Noutras palavras, o ponteirinho apressadíssimo corria pelo mostrador, que aliás era uma gracinha perto e em confronto com o antigão e viciado de vidro riscado de tanto entrar sair do bolsinho de níquel sem moeda com relógio e a corrente metálica gasta. Em suma o ponteiro corria certo mas errado por dar volta no sentido errado! Andava ao contrário, quase a se chocar com o de minutos e com o de horas, este mais paciente e lerdo comparado aos outros dois, ou seja o louco de minutos e o paciencioso das horas.
          Girara girava girava – a cabeça com seus olhos de olhar horas já girando nessa altura, tonta! Girava no sentido horário? não, girava contra a direção certa dos demais ponteiros; contrário portanto.
          Portanto em que ficamos? em que ficou o sujeito com seu novíssimo relógio dentro da moda? não ficou, saiu por aí a desesquentar o miolo.

Itapecerica da Serra   janeiro  2018
(pensamento4551).A remela asquerosa pode ser a lágrima concentrada do sonho triste no sono profundo da noite perversa... janeiro2018