(contolouco) Sobremesa sob a mesa
A favela onde residindo a família dos
Vermes Cadavéricos da Silva andava em falta na sobra da fome, quando por azar,
azar dele, desfalece antes depois falece um tal de João ou Zé (pouco importa,
importa a morte à vida:) e então foi uma festa. Aguardaram um ou dois dias à
decomposição do João e então puseram-se a acabar de vez com a fome que
grassava; faltando o que comer sobrando violências na favela.
Mamãe falou, depois gritou por não
ouvirem os filhotes, mil filhotes, mil e um; um e todos vieram correndo deslizando
deslizando e tudo o mais, o menos fora o grito materno "a janta na
mesa!"
Começaram prosseguiram no come e bebe,
gulosamente, rapidamente, finalmente findando o ágape.
Aí mamãe – sem precisar berrar falou, ela
também um pouco enfastiada – aí disse. "Pronto, meus pequenos e belos vermes cadavéricos, pronto: agora é só tomar
a sobremesa".
Continuou a falar. Temos hoje uma
sobremesa variada, como osso de costela defumada (o João era quando era, era
queimado curtido pelo sol) temos ainda fêmur seco, desengraxado, tíbia perônio
artelhos (artelhinhos umas gracinhas, o João de mãos e pés delicados) e crânio!
ah, meninos, crânio limpo sem merda dentro... aliás houvera sido cheirosa e das
de Primeiro Mundo. Nem acabara de esclarecer sobre a sobremesa, já ninguém
perto; longe e de barriga cheia num fastio que costuma dar sonolência nos
adultos (na mãe por exemplo) e vontade de correr brincar nas crianças...
Itapecerica da
Serra dezembro 2017