(conto)
Roubo da
caixa eletrônica
Naturalmente
estava o objeto na área de saque no caixa eletrônico, gente muita gente gente
assustada ou só na expectativa a assustada gente; os seguranças, prevenidos,
olhavam de soslaio a gente. Ela entrou, também gente com a gente, penetrou o
saguão andandinho velhinha arcadinha a japonesinha – logo fitou a caixa... Todos
olharam nem todos notaram o andar a ansiedade da pequenina avó, "batiã"
diziam os de sua raça; os da raça ali somente o neto, "fírio"
pronunciava a pobre. Avançou. Agachou, agachar de fato pudesse no seu já arcado;
tomou a caixa de papelão moreno. Não leu. Não podia ler com olhos desgastados
na idade; e/ou por seu analfabetismo mesmo na sua língua em que dominava meros
sinais – leria aqueles riscos em rabiscos indicando chinês da costumeira
importação. Agarrou arrebatando a caixa, num abraço à caixa (certamente com seu
objeto dentro). Todos em prontidão! E havia o pensamento de todos indo pelos
ares... O segurança mais próximo e longe dos mais distantes acorreu à área do
perigo e segurou a senhora idosa já a carregar a preciosidade, segurou a
tomá-la ou a prendê-la ou quem sabe a defendê-la e a defender o público na
iminência, um público que fugia, decerto ao testemunho ou ao estrondo ou à
morte! Interfere o segurança naquela fraqueza de criatura, indaga... Nisto
aparece o neto ainda a conferir o extrato o bem extraído do caixa eletrônico e
agora a abordar o segurança por sua vez; a lamentar na língua deles a velha que
se desgrudara dos seus cuidados. Sim, disse da Batiã agora em português escorreito,
"minha avó". A velha completa num sorriso de encantadora inocência,
"shim, fírio"!
Itapecerica da
Serra, agosto 2017