segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Tem Multa?

A primeira pergunta que vem à mente, diante de um trânsito embaraçado congestionado atrapalhado duro de engolir, é se tem multa. Mas não devia ter não. Mesmo que não se tratasse do Sr.Macarrão.
Uma figura expressiva na sociedade, se bem que novo-rico notório e um pouquinho exagerado. Bastante. O qual, a mulher, bem entendido a esposa dele, não se podia falar sobre as outras, essa não se conformava em vida de pobre ter aguentado viver espremida, sempre a exigir (cansada tanto implorar) uma cozinha à altura dela admirável dona de casa, enquanto o marido vivia fora de casa e nem sentia o drama. De repente enricou, coisas de loteria ou negócios escusos, ela não bem preparada para tal. Se pegou a poder exigir de fato uma cozinha daquelas enormes. E vai que o marido, o esposo dela, o Dr.Macarrão, virou doutor com secretária e tudo, exagerando um pouco, deu-lhe não só uma bela mansão porém palácio verdadeiro, com criados e o tudo mais. Onde a distinta senhora gozava à vontade a tal cozinha que pedira.
Enormíssima, ao exagero! Basta dizer que as criadas, e mesmo um serviçal à disposição das coisas para alimento, elas eles se puseram a correr dentro da dita cuja, a fazer o do-fazer pra fazer bem feito. E dona Ciana, aí ela passou à Doutora Emerenciana, essa resolveu prover as distâncias com auxílio do esposo, o da macarronada, um pouco exagerado já se disse, o qual constatou males e instalou moderno sistema de trânsito, pois que motorizou toda criadagem no serviço do palácio. Para ir do fogão número um ao de número dois ou mesmo ao quatro, a Sebastiana (admitida por já possuir carteira de motorista, embora cozinhasse o frugal trivialmente) ela engatava primeira e saía, não obstante não desse a chegar à segunda marcha. A Francisca, branquinha muito enjoada e pernóstica, para se deslocar do armário de aço até ao embutido onde se depositava detergentes, ela necessitava sair em segunda mesmo não só para ir rápido como pelo fato de não conseguir engrenar a primeira marcha no câmbio, que era duro de entrar e só entrava raspando fazendo grrrrrnn; e dirigia aos trancos e barrancos. Contudo apenas havia mais um veículo no trânsito da cozinha emenrenciana; veículo pequeno se deve falar, assim como eram os demais; e tal veículo sendo usado ora pelo Manoel, espécie de pau-pra-toda-obra, ora pela Beladona (apelido, logicamente, pois constava na Profissional como ‘Josefa’) – ambos empregados  que certamente haviam tirado carta por telefone... E se ouvia o raspar câmbio, carros afogados (por excesso de gasolina, pois só o Manoel se afogava em álcool) enfim uma barulheira infernal e muita fumaça dos carros dentro da cozinha grandalhona de alegrar Doutora Emerenciana do Doutor Macarrão. Havia – para esclarecer melhor e a bem da verdade só deu-se uma ou duas apenas – havia trombadas e abalroamentos inconsequentes e consequentemente nomes feios longe da patroa (não se exige alta educação em criados, exige-se?)  tudo no trânsito da cozinha. Teve o esposo da Doutora de providenciar um guarda uniformizado e com semáforo manual a controlar o movimento da dita enormíssima cozinha!
Se resolveu o problema, não é sabido, ou até onde resolveu. Mas parece que não tinha multa. É. Nunca teve.

 Ribeirão Preto   fevereiro  1982
pensamento4269.Nenhum presídio, ou muro ou cadeado, consegue segurar por mais forte seja uma insignificante imaginação. Matá-la? nem a morte!  dezembro2016


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Estorieta Delas

É a quentura a envergonhar o inferno nos trópicos então sem vento. Ela, a mosca atrevida, a driblar a curiosidade doutras mil moscas e se senta perto, perto do grude de fruta banana laranja manga; beija, tenta beijar, beija o restinho cheiroso atraente e daí Ela, Ela? a língua, Ela beija antes e grita à outra “eu vi primeiro, é meu, vi primeiro”. Brigam se enfrentam na briga e Ela, Ela a dentadura, atinge morde prende as outras, tritura, descansa (não se sabe se em paz). Noutro dia é outro dia no dia de amanhã, manhã. Ela, Ela agora e por último, mesmo porque alguém tem que ter autoridade e acabar com possíveis desavenças, então impossíveis, Ela é a descarga. Fim de papo.

Marília   dezembro  2016 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

pensamento4261.O sonho é um absurdo que nos ocorre a dormir quando num cansaço ou quando um fora de ordem tiver acontecido desperto. Maior absurdo ainda o sonho a surgir no dia claro, como nesta época de crise nacional-mundial. Aí não apenas o absurdo admitido – é pesadelo ou ilusão burra...  dezembro2016