(conto)Consórcio da Porta
Pobrinha
da Porta, a Porta fosse dos tempos dos velhos caboclos e estivesse em
perspectiva negativa de casar e a temer a apavorante situação de virar tia;
então a sociedade pobre e/ou rica não tendo com ela e suas iguais, diferentes,
não tendo contemplação. Não. Não mesmo pois a Porta no aguardo de colocação estando
no solo ali aqui perto no vizinho apartamento desocupado esburacado consagrado
embora a mudar mudando o visual: enquanto na parede o buraco aberto exposto à
espera da Porta, a dita e feita pronta ótima bela encostada alizinho aguardando
os profissionais chegar trabalhar conversar também entre si, o radinho berrador
a irritar a conversa deles num contar da família no fim de semana passada, esta
segunda de preguiça não deixa mentir. Sim. Não, não pra titia, antes que isso
isto: olha, será, decerto a pensar ela, será que meu noivo vai me 'dar os canos'!?
e aqui a expressão mundana banal e de rua; de fato, olha agoniada que o prometido
namorado noivo marido chegue.
Porém
Assentamento, como todo macho perfeito inteiro sábio, como todo macho comum
enfim, Assentamento não tem esse questionamento. Fica lerdeando em sua casa,
casa da mamãe dona Madeira, a mãe a lhe pegar no pé: a roupa o asseio a hora,
ai a hora... "filhinho vai perder a hora!" e a pobre Porta a lhe
aguardar no buraco do templo e... Assentamento desliga a genitora, adverte o
pente em seu labor se vai bem aquele caminhinho no separo da cabeleira, umas
mechas teimosas a escorrer roçar os olhos e daí tome gelatinas e fixadores – o
espelho! ah o espelho não suporta mais ver aquele macacoide se embelezando
vaidoso; certo, por uma causa nobre mas...
Por
fim Assentamento encontra-se na via pública dá com a mão o táxi para anda corre
(quase o motor tem enfarte) chega.
O
pároco – um trabalhador de conhecimento no métier;
os outros operários ali prontos também – o responsável comanda a cerimônia os
trâmites, ou seja a colocação concretada do moloide à parede, ela, a parede? a
parede com ciuminho da Porta, ele, não é ela? que ela coisa alguma, ele
Assentamento já não teme não treme não mais tímido tíbio no buraco aberto na parede;
assim ele aquieta e aguarda por ela. Ela? Ela sim, a Porta. A Porta é encaixada
posta no vão de Assentamento. Agora a Porta suspira um "até que
enfim" exprobando 'titiagens' e 'solterices' mais.
E
o fim, não tem fim afinal!?
Tem.
Claro, tem. A Carochinha completa em adendo, e foram felizes para todo o
sempre.
São Paulo setembro
2019
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