sábado, 16 de dezembro de 2017

(contolouco) Sobremesa sob a mesa

          A favela onde residindo a família dos Vermes Cadavéricos da Silva andava em falta na sobra da fome, quando por azar, azar dele, desfalece antes depois falece um tal de João ou Zé (pouco importa, importa a morte à vida:) e então foi uma festa. Aguardaram um ou dois dias à decomposição do João e então puseram-se a acabar de vez com a fome que grassava; faltando o que comer sobrando violências na favela.
          Mamãe falou, depois gritou por não ouvirem os filhotes, mil filhotes, mil e um; um e todos vieram correndo deslizando deslizando e tudo o mais, o menos fora o grito materno "a janta na mesa!"
          Começaram prosseguiram no come e bebe, gulosamente, rapidamente, finalmente findando o ágape.
          Aí mamãe – sem precisar berrar falou, ela também um pouco enfastiada – aí disse. "Pronto, meus pequenos e belos  vermes cadavéricos, pronto: agora é só tomar a sobremesa".
          Continuou a falar. Temos hoje uma sobremesa variada, como osso de costela defumada (o João era quando era, era queimado curtido pelo sol) temos ainda fêmur seco, desengraxado, tíbia perônio artelhos (artelhinhos umas gracinhas, o João de mãos e pés delicados) e crânio! ah, meninos, crânio limpo sem merda dentro... aliás houvera sido cheirosa e das de Primeiro Mundo. Nem acabara de esclarecer sobre a sobremesa, já ninguém perto; longe e de barriga cheia num fastio que costuma dar sonolência nos adultos (na mãe por exemplo) e vontade de correr brincar nas crianças...

Itapecerica da Serra   dezembro  2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

pensamento4513.O blogue é uma estante onde se expõe obras sem se preocupar com a poeira a traça o ladrão; apenas temendo a ação do tempo, mais poderoso que poeira traça ladrão.novembro2017

         




             

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

(contolouco) – A Imagem

Cheguei-me ao espelho o vidro o cristal o reflexo em meu reflexo; a me devolver a imagem pura a me tomar como um todo de beleza e esplendor. Fiquei séculos de minutos a estudar a visão e me entusiasmei com que via vendo a que perfeição chegara e me comovi com aquilo que media-me e media a minha beleza sem igual. Achegava-me ao vidro plano belo reflexo e me distanciava para ver melhor e explorar os lances de beleza. Foi numa dessas aproximações, tendo estado distante para avaliar melhor aquele ser formidável preso ali no cristal transparente; foi aí haver acontecido uma explosão assombrosa, de grande estouro, de pujante som – a assustar um quarteirão quiçá o mundo. Imediato olhei conscientizei analisei constatei do estouro o estilhaçamento e os mil pedaços a que fui reduzido... Via agora mil e um de mim espalhados ainda no quadro de vidro com separaçõezinhas minúsculas e quase microscópicas; nenhuma transparente e todas a refletir a mesma criatura, bela e inteira, não obstante em pedaços aos pedacinhos iguais e medidos pela força da beleza. Não ri não me ri, chorei diante a grandeza daquelas ínfimas infinitudes em miniatura de um todo. Contudo – diante tanto entusiasmo e força na expressão – contudo tudo arrebentou na frente de minha frente em frente do rosto e cedeu e caiu e juntou tudinho cristalizado e refletido no chão sujo imundo e indigno e bárbaro! Olhei então e me vi espalhado nos mil pedaços, pedacinhos a conservar ainda a beleza. Daí desistindo não descansei mas fugi... Nunca mais a me 'espectar' diante doutro espelho, qualquer outro que me não devolvesse em integridade vistosidade serenidade. Fugi. Fugi a comparar os incomparáveis vidros planos que decerto não poderiam refletir nenhuma perfeição, nem de perto. Longe passei ficar, evitar confrontos com demais espelhos pequenos grandes ínfimos e qualquer. Evitei inclusive vidros de lojas e retrovisores de carros, os quais a distorcer de propósito imagens; quiçá belas. Fugi de vez. Nunca mais veria, me prometi, nunca outro quadro com areia transformada a exibir para quem ver a própria imagem; nunca mais a minha santa reprodução. A fugir do banal dos que creem no absoluto. Todavia, anos após, me defronto com o inesperado o impossível. As águas claras no sol pujante num córrego me puseram à crítica: eu de novo refletido, ao todo e não aos pedaços e com a força da correnteza, a dar maior e melhor brilho à perfeição. Tornei a me entusiasmar; porém indagava, não poderia que a imagem em reflexo se partisse em mil fragmentos! embora esperasse o milagre de todos pedacinhos refletir a perfeição do todo. Andava nisso, a mirar nas águas plenas de figuras de perfeição, quando notei com espanto mil outros seres de outras espécies ali em torno a adorar aquele ápice de beleza. Havia tubarão lambari baleia e mais muito mais animálculos do fundo do mar nas proximidades, na expectativa de um ato de êxtase! Foi quando vi a vir – decerto não para admirar o belo supremo – percebi, e era ontem, uma vaca braba feroz de chifre armada até aos dentes. Corri até amanhã.
Itapecerica   novembro  2017

         




             

sábado, 7 de outubro de 2017

(contolouco)Esqueleto

Ele me deu trabalhão nesta noite de frio e silêncio, silêncio aos outros meus vizinhos de jornada, a dormir seu sono reparador seu descanso seu sonho solto, enquanto solto eu meus ais pelo 'nhec-nhecar' dos sons das juntas dos ossos dele – e a me remexer sem saber onde parar parando o estado de meu espírito e... ah trocando em miúdos, não dormi. Por causa dele. Ouço desde o dia em a noite dum cemitério, a rigor o nosso cemitério municipal na avenida saudade; saudade nenhuma sinto nessa lembrança e entrei e saí quase furtivamente da necrópole para minha vida de relação com os outros mortais moradores e foi quando... isso, foi aí notar ser perseguido por ele, ele atrás eu na frente em frente a caminhar pra casa; parava olhava observava notava lá longe seu espectro meio fumaça mas pior, constatava o esqueleto a me seguir, sem conseguir embora me alcançar. Continuei nesse jogo sujo ou brincadeira inocente do gato e o rato e daí parei. Parei. Olhei. Examinei. Fiz-me 'invisível' a ele e a tudo o mais ou desistiria pensar e isto é morrer! Não. Sim, pus-me a analisar melhor.
Que diabo, eu falei, esse tal a me seguir... Não. Devo estar errado; não enganado no item 'seguir' e piormente perseguir, prosseguir foi daí minha decisão. Contudo tudo no mesmo de o-gato-e-o-rato. Não: estaria errado só no item 'ele', ele é quem andava encostado. Por que ele não podendo ser ela? Então imaginei, imaginei coisa alguma pois tenho agora hora de perseguição e aqui eu seria o rato ela a gata – estaria por mim apaixonada!? Ela. Agora vejo minha perseguidora, com boa vontade. Visto olhar agora, ora, olhar para uma fêmea da espécie (ué, mas de qual espécie!) uma prontinha para mim – sujeito sujeito à timidez e portanto sem coragem de fazer conquista.
Daí em diante ela me seguiria sempre e sempre estaria ao meu encalço, invertendo costume de o homem conquistar, ficando neste caso a mulher a conquistar o homem. Mas o fato principal disso tudo é o(a) esqueleto indo amar o feio homem (não sou enganador e por essa razão aceito ser o ser comum sem qualquer beleza ou talento). Por causa disso paro a analisar fatos. Eu ando ela anda, eu paro ela para – qual sombra de alguém que estaca quando o ser principal estaca. Ela então seria minha sombra!
Não. Sobra mais verdades.
Daí examino estudo concluo haver esqueleto, a esqueleto seria desejar forçar a concordância na linguagem; todavia ele é ela, bela? pura? santa? honesta? beata? Enquanto eu sou eu, ora.
Hora depois, ainda a mesma no mesmo. Eu à frente ela atrás; com a diferença de a distância entre nós haver diminuído consideravelmente. Quando mais perto, mais de perto, paro. Descrevo.
Um esqueleto completo a me seguir desde o campo-santo; com boas intenções! pergunto indeciso. Completinho e total: cabeça tronco braços pernas com pés de andar; a cabeça (olho bem, bem próximos estamos) a cabeça é uma caveira até aceitável. Tem dentes brancos, um está quebrado e em falta na sobra dos trinta e um. O ôlho, ólho, uma cavidade escura nas órbitas em par. O crânio tem aquelas marquinhas e sinais da separação como que colada da ossatura disposta pela natureza. Dentro da cabeça terá (me pergunto louco:) terá cérebro e pensamento! não vejo, olho no entanto. O peito (e me indago outra vez:) tem coração de sentir! e aí a atração por mim a quase sua frente ao caminho em que vou vamos, iremos a prosseguir em nosso rumo. Não sei disso, do coração me refiro e não da estrada que são ruas com cruzamentos e gente e veículos e barulhos da loucura de uma cidade. Nesse peito a defesa das costelas, o esterno juntando as pontas das sete primeiras delas, mas sendo o comum dos ossos; atrás quase dando pra ver a coluna vertebral unindo o acima ao embaixo, ou seja a bacia depois o fêmur e o resto do extremo indo até chegar aos pés com seus artelhos (os dela caprichados pequenos bem-postos). Enfim esqueleto completo pleno total e ainda assim o comum que se vê.
Examino o conjunto e me agrada o que vejo e me agrado dela.
Experimento um movimento no sentido de ir partir. Ela também qual sombra ameaça e executa a mesma movimentação minha. Estamos atrelados, penso alto; responde alto ela no meu pensamento e assim sorrio, sorrimos nos entendendo nesse esdrúxulo namoro... quem sabe mais esdrúxulo em vista o porte, já que sou ligeiramente de estatura menor que ela; mas isso somenos.
Continuamos.
Eu vou andando, aumento a distância no percurso; ela agora 'corre' o quanto permitido, chocalha seus ossos e os miúdos fazem sons também miúdos que são uma gracinha... Rimos. Rimo-nos de nós mesmos; ah mas como os amantes dizem tanta bobagem tanto absurdo em suas certezas poéticas! Ela. Eu. Mostramos talento na coisa, coisa séria...
Percorro, percorremos, ela a encurtar mais a lonjura; andamos mais metros mais quilômetros e chegamos. Mas onde! nós indagamos em amores quase a nos encostar e a nos cheirar.
Não sei, respondo. Ela meneia a cabeça a concordar com as interrogações do mundo.
Então leio, meio cego perdera em qualquer vão meus óculos; enquanto ela sequer lê com as órbitas cavas dos olhos. "Dr. Roberto" e o resto não se lê não dando pra ler; entro; entra atrás de mim. Paro. Ora, uma donzela nossa educação manda entrar primeiro, depois o garanhão apressado. Voltamos, nos corrigimos e aí sim ela antes eu após; puxo a cadeira, ela se senta, depois me sento ao lado. Exponho ao doutor as coisas; ele examina em consulta meu amorzinho, escreve na ficha e rabisca a receita, dispõe instruções a proceder exames de ultrassom, essas coisas. Mas me adianta desde já e me assusta (enquanto Ela assunta:) os ossos do esqueleto são masculinos...
Itapecerica da Serra   outubro  2017



           

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

(contolouco) - Fio

Levantou-se naquele dia ensolarado a enfrentar o que enfrentar, o desemprego já sem desespero por exemplo; e mais algumas coisas, pois quase nunca a gente supõe encontrar algo especial pela frente. Cansado (mas cansado logo cedinho!) pela noite indormida acinzentando a visão e tudo o mais nos menos. Lavou-se, como sempre espalhafatosamente, se assoprou se limpou se molhou se enxugou; se penteou... ah aí um ai. Guardou os pertences e fechou o espelho do armarinho da pia; já tratara das necessidades fisiológicas e isto a contento; descontente um pouco com aquilo para o que teimamos não haver solução, coisa grave num ser com pouco mais de quarenta anos. Piscou a expulsar nuvens imaginárias e as nuvens da visão a embaraçar a visão. Saía do sanitário a se arrumar para alimentar-se e finalmente ao costumeiro 'pé na estrada' quando...
Retorna ao lavatório em rever a toalete para melhorar a aparência – e aqui não é necessário exigir beleza, não se achava lindo, nem chegando a pensar nisso. Nisso se assustou.
Notara no espelho de relance ao fechar a portinhola do armarinho da pia um fio... de fato uns fios, quatro fios mais ou menos soltos em cima da cabeça no meio daquela espécie de aeroporto de mosquitos (como era gozado por íntimos) enfim de sua área de calvície antecipada, própria da velhice e que apenas é amenizada com peruca chapéu ou boina. Minucioso, toma da tesoura a derriçar aquelas ervas daninhas ridículas no couro cabeludo.
Bem, a tosa foi aceita por três entre rebeldes; não pelo quarto fio, um que alumiava refletindo os raios solares de lá de fora. Esse por demais teimoso.
Corta a ponta, anteriormente tentara apará-lo na base porém não atendeu à lâmina da tesoura, além decerto de falha no corte desse tesouro ou por seus olhos se negarem acertá-lo. Olha, a compensar o fracasso na operação, olha em volta do crânio entre orelhas o cabelo meio negro meio acinzentado a marcar a cabeça – deixando naturalmente a área livre a realçar os quatro fios espetados ou crescidos fora de hora; mais precisamente o quarto deles, rebelde pra valer.
Prossegue na tarefa de desbastá-lo. Ora parecendo que fora vitorioso ora que não: não desaparece o fio!
Toma um par de óculos, desses que veem longe; e após outro, desses que veem perto; não vê. Realmente pensa não perceber mais o intrometido. Guarda então os objetos, os instrumentinhos de se aperfeiçoar na arte da vaidade. Já ia pôr o 'achado' na conta dos esquecimentos, quando ao fechar de novo o vidro do armário nota um reflexo de fio do fio...
Retoma o instrumental – e aí estando pronto a sair de casa atrás das encrencas do dia, encrencas como relembra tristemente o emprego no desemprego, não no desespero, ainda – retoma chateado a tesourinha os óculos e a paciência, a aniquilar de vez o quarto e último fio de cabelo no crânio quase sem cabelo.
Contudo...
Deixa de lado o problema, ou procrastina o problema. Anda anda cansa cansa torna; torna ao lar, lar azedo lar e fica inda mais azedo: o quartinho fio não só não decepado e desaparecido mas no mesmíssimo lugar. Mais nesse menos: crescera um pouco, bastante à expectativa.
Começa para si um drama próprio do homem comum, que é a aparência e o como possivelmente as demais criaturas possam vê-lo. Às vezes a gente sequer notado, além dele não haver pensado que as mulheres percebem a roupa os homens nem a roupa vendo veria o povo um fio de cabelo! mas isto não é o que pensam os pessimistas. Começa – por um singelo e mais ou menos invisível fio de cabelo, não visto pela gente a cruzar com a gente, todavia bem malvisto pelos olhos da gente... – começa seu drama, a durar a eternidade da impaciência.
Precisa naturalmente viver conviver ter as relações habituais na sociedade, embora no caso o caso de um sujeito sujeito à timidez, talvez um taciturno. Sim, tímido entretanto necessitando comer se vestir etc. e tal; antes disso e a satisfazer necessidades precisando trabalhar, não obstante desemprego; precisaria por exemplo a encher o tempo buscar colocação na crise em que vive o país. Bem. Mal constatando, se põe nas ruas, e é aqui os primeiros entre os dramas ligados a um mero fio de cabelo, ou só coto do fio (supunha haver com a tesoura cortado o quarto e impertinente fio).
De fato ninguém nota nem notaria na movimentação de rua um simples fio duro espetado pra cima a olhar o firmamento, ninguém ao se cruzar vias públicas (aquela questão de procurar lojas e bancos).
          Sim para início de conversa, porque depois complicaria um pouco... bastante.
Volta ao azedume do lar doce lar consternado, não pelo fio e também pelo fio mas sobretudo pelas promessas de colocação, o que não suficiente a vencer uma crise. Volta e, preocupado com certa incerta lembrança, vai examinar sua expressão no espelho do armarinho no sanitário e se assusta ao ver na calva brilhante o brilhante coto de fio! coto bem mais alto que antes de sair de casa... Põe o dedo no fio notável – já então podendo senti-lo e até pegá-lo com o indicador e o polegar. Aqui um fio grosso e de mais de quinze centímetros de altura, a brilhar refletindo não o sol mas o lume da lâmpada do sanitário.
Inquietante isso, todavia não se dá por vencido. Antes inclusive de comer beber algo toma a tesoura e decepa a coisa... ou melhor neste pior: a lâmina não consegue cortá-la por dura, forte, indestrutível... indestrutível! se apavora.
No entanto 'aceita' essa visita indesejável, tal qual gente que vem para um dia e permanece semanas na casa da gente; aceitação em termos, mais convivência que aceitação. Se amolda. Ajeita-se e leva sua vida como pode.
A par disso o fio de cabelo cresce engorda encorpa sobe. Impossível aos conviventes esses conviventes não notarem aquilo... A vítima disfarça escamoteia no possível e faz o impossível. Fura o próprio boné, fazendo passar o fiozão ex-fiozinho por um buraco (caprichado e inclusive artístico é verdade mas assim mesmo ridículo a envergonhar no conjunto). Sim, antes de mais nada experimentara o recurso de serrar o fio com serrinha de aço, não usaria serrote e menos ainda um machado. Contudo os recursos falham e ele cede ao buraco no dito boné.
Vive uns dias assim, poucas semanas, e já não conseguindo mais desengastalhar o chapéu. O fio deixara então ser mero fio ou apenas um fio grosso duro e a crescer sem parar: agora de fato um tronco, tronco que sai da cabeça onde as raízes, indo às alturas incomensuráveis. Aliás o extremo sumindo de vista aos pobres mortais aqui embaixo...
Nesse ponto já dissera adeus ao lar, em busca doutro menos azedo; mudando-se ao deserto entre desertos, os dessertos ele experimentara todos: o dos milionários o da miséria o da incompreensão o da vaidade o do orgulho; desertos onde todo mundo pode se recolher se agasalhar e se isolar; mas optando por fim pelo deserto do calor, sendo indivíduo friorento não escolheria o gelado, prefere o da areia; não obstante calor e isolamento. Exato, isto o melhor que arranja no arranjo, visto não aguentar mais ter de explicar e justificar a existência dum fio de cabelo, antes insignificante e talvez invisível aos outros seres na coletividade curiosa. Nos fins dos tempos já havendo um formidável tronco indo desde sua cabeça, seus miolos mais precisamente, até os píncaros no céu! Nisso não bastando óculos, óculos!? nem binóculos e até luneta a enxergar seu final nas alturas siderais além das nuvens.
Por essa ocasião e por muito tempo se livra senão do ridículo exposto ao menos da chatice que é explicar o inexplicável à gente enxerida. Não obstante o fio-tronco continua a engrossar pouco e a espichar muito. Demais.
Daí surgem novos problemas como o assédio de seres tidos por muitos como imaginários, os diabos... Descem e descem aos magotes. Um deles, mais desabrido, indo fazer careta à raiz, ele mesmo, a raiar-lhe os miolos. Pondo areia nos miolos. O homem – agora ao peso do tronco a empurrá-lo pra baixo qual bate-estacas que afunda as bases; agora quase só o que emergindo, enquanto os restos do estourado chapéu ainda a aparecer na 'tona' do deserto – o homem põe, não tivesse já posto, põe umas minhocas na cabeça: que diacho, se fala, que negócio é esse, pois sempre me disseram que o inferno fica nas profundezas do solo e entretanto esses capetas, os capetinhas sendo umas gracinhas, eles me vêm lá de cima para gozar, para insultar-me!!!

Itapecerica da Serra    setembro  2017

domingo, 17 de setembro de 2017

(pensamento4192)Para que saber de alguém o como acabar, se já sabendo o acabar!  outubro2016

(pensamento4193)Os que passam, passam por cima dos que mais não passam, passados para baixo; passam em passos firmes, ou na coragem ou na fragilidade da insegurança.  outubro2016

(pensamento4195)Política: eleição faz tempão enganação ao povão na escolha do menos ladrão.  outubro2016 

domingo, 10 de setembro de 2017

(pensamento4188).Todos pregam que o alimento mata a fome. Eu garanto que não: a comida afasta a fome. Quem mata a fome do corpo é a morte; esta sempre com fome de comer vidas. outubro2016 

(pensamento4190).Quem não acredita, não tem direito a sonhar.  outubro2016


domingo, 20 de agosto de 2017

(conto) Roubo da caixa eletrônica

Naturalmente estava o objeto na área de saque no caixa eletrônico, gente muita gente gente assustada ou só na expectativa a assustada gente; os seguranças, prevenidos, olhavam de soslaio a gente. Ela entrou, também gente com a gente, penetrou o saguão andandinho velhinha arcadinha a japonesinha – logo fitou a caixa... Todos olharam nem todos notaram o andar a ansiedade da pequenina avó, "batiã" diziam os de sua raça; os da raça ali somente o neto, "fírio" pronunciava a pobre. Avançou. Agachou, agachar de fato pudesse no seu já arcado; tomou a caixa de papelão moreno. Não leu. Não podia ler com olhos desgastados na idade; e/ou por seu analfabetismo mesmo na sua língua em que dominava meros sinais – leria aqueles riscos em rabiscos indicando chinês da costumeira importação. Agarrou arrebatando a caixa, num abraço à caixa (certamente com seu objeto dentro). Todos em prontidão! E havia o pensamento de todos indo pelos ares... O segurança mais próximo e longe dos mais distantes acorreu à área do perigo e segurou a senhora idosa já a carregar a preciosidade, segurou a tomá-la ou a prendê-la ou quem sabe a defendê-la e a defender o público na iminência, um público que fugia, decerto ao testemunho ou ao estrondo ou à morte! Interfere o segurança naquela fraqueza de criatura, indaga... Nisto aparece o neto ainda a conferir o extrato o bem extraído do caixa eletrônico e agora a abordar o segurança por sua vez; a lamentar na língua deles a velha que se desgrudara dos seus cuidados. Sim, disse da Batiã agora em português escorreito, "minha avó". A velha completa num sorriso de encantadora inocência, "shim, fírio"!

Itapecerica da Serra,  agosto 2017

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

  
 (contolouco)Estória de era uma vez: o Homem sem boca

Era uma vez, diz ela, ela disse milhares de vezes assim, era um sujeito que não tinha boca... Quer isso dizer que não nascera, nascera claro que sim não teria nascido com boca – lábios de beijar buraco de se ver dentões pobres podres e falhos e faltos e... chega. Teve boca até aí por uns trinta quarenta anos mas depois se cansou do cansaço de falar; porque nessa altura já falando muita bobagem (e isto descobriu de tanto descobrir não levarem a sério o que dizia ao mundo). Era uma vez ele estafado, estufado também visto além de falar comer demais. Enfim a coisa o levou a pensar analisar pesar descobrir a coisa. A coisa: falava e falara muitíssimo. Sim, tem muita gente tagarela, no entanto não tão falante em asneiras. Essa a grande descoberta! A descoberta o encaminhou riscar da gente que ele representava os pensamentos expostos até aí e ai! parou de uma vez nesta estória de era uma vez; parou de falar. O que não era um grande drama ao Universo somente ao seu universo. Passou... bem passou apenas a escutar, mesmo porque ninguém afirma até aqui não tivesse orelha, orelhas, era só sem boca com boca fechada e nisto se intromete o pegador de roupas, o prendedor dizem alguns, o de peças a gotejar no varal (xô ladrão de galinhas!) O indivíduo botou  segurando os lábios então sem função o tal prendedor – no que resultando algo esdrúxulo e imensamente ridículo, sobremaneira ao andar por aí nas compras no trabalho e no trabalho de pagar as contas, atividade detestada pela população. Evidente haver curiosos e os curiosos a indagar o quê o porquê e outros quês irrepondíveis 'irrespondidos' – não tinha mais boca; falava por sinais e todos entendiam, ninguém de fato a entender. Contudo havendo orelha. Para ouvir bastante. Bastante ouviria daí em frente, inclusive mais que o normal ou o comum das coisas. Isto porque já esdrúxulo à beça sem boca com duas orelhas, acresceu mais umas duas ou três dessa feiura exemplar; exemplar porque não tem parte do corpo humano mais feia que orelha, as dele horripilantes com uns ganchos na extremidade, naturais ou mal postos pela natureza no bebê quando ainda nenê, o que não impedia escutar porém enroscavam na fronha do travesseiro. Em suma, botou duas ou três, uma na testa outra no queixo – a fim de ouvir bem mais, a compensar supressão da boca (ou seria melhor haver cortado tão só a língua, mas burro e caso burro não dito, dito agora). No final das contas, idoso e a vagar devagar por aí no centro comercial. Fora pagar contas, burro todavia bom cidadão, e aí se enroscou... Era uma vez um homem sem boca sim, não sem orelha e nisto exagerando a exibir um punhado de feiuras, parecendo um veado-galheiro, diziam passantes apressados daquela coisa a entrar na lotérica da sorte com o azar ter pagar contas. A moça, casada e com cinco filhos para tratar e sem companheiro o companheiro dera no pé mas isto sem importância; a moça arrregalou olhos àquilo no guichê, chamou o segurança, o segurança temeu tremeu, chamou a polícia, a polícia abriu a porta (antes brincou de burocracia preencheu fichas indagou muito sem resposta) fechou a porta a ranger, pisou no pé, deu-lhe pontapé, às gargalhadas dos albergados do Estado no estado em que ainda se encontra, eles que não se encontravam de vez em era uma vez.

Itapecerica da Serra   agosto  2017

sábado, 5 de agosto de 2017

(pensamento4418).A remela asquerosa é a lágrima sacrificada ao tempo.agosto2017

(conto)Segunda, 5:12h

A antecipar o dia a noite findando a expor sua friagem; sequer cri-cris sequer 'semissons' a ofender o silêncio nada sepulcral na área limpa da madrugada; ao exato encostar dos ponteiros no décimo primeiro segundo, ele fez seu trabalho sem exagerar na limpeza – ele candidato ao congresso, a deputado se não falha a memória do esquecimento. Ele. Ela pôs a boca no trombone! a assustar inclusive quem não estando a dormir... Estrilou e, imediato, se pôs a cocorocar alto brabo correto mas não por haver posto o ovo, levado o ovo ou o pinto ou o frango ou o futuro galo do terreiro; o seu antigo macho e o de todas acabara antes na pressão da panela e fora substituído num empréstimo como homem pelo outro do galinheiro vizinho – e olhe que era hora, oras, de gritar o dia acordar da noite, a noite a bocejar já pois que o novo galo gritaria seu anúncio a provocar outros terreiros a acordar o mundo às cinco e meia e às seis e meia, assim fazendo o mundo iniciar suas atividades, os ponteiros despertando a sociedade para as guerras as violências menores maiores nas bocas por aí. Contudo tudo estacou num cocodeco assustado assustador! Embora a galinha a usar somente de dia o cocodeco habitual de pôr, era agora de susto, de pavor mesmo nessa hora experimental do postulante à cadeira no parlamento, senador ou deputado – a rigor experimentozinho porque a partir dum galinheiro dormindo pacífico silencioso inocente desguarnecido (até o cão de guarda a dormir-sonhar tendo osso como travesseiro). Não obstante ela cocodecou alto, com susto e sem o bem, levado o bem pelo proponente em treino às grandes metas parlamentares... e a altura cocodecada despertou por sua vez o macho dum galinheiro perto. Desperto este, aguarda tão só os ponteiros da cinco e trinta e despeja gritos e lamúrias, o que acordando os demais longe a cucurucar nas imediações e no resto do planeta, o planeta a se espreguiçar despertar brigões humanos às santas tarefas do desentendimento e inclusive às tarefas de produção e de vida. O galinheiro vira um pandemônio, a alarmar também o próprio postulante-aprendiz visando altos postos políticos, o qual conduziu a bagagem na fuga cheia de inocentinhos peludos penados pelados pelado tudo no roubo (ou somente afano). Dispara e some. Isto novo aprendizado na aprendizagem rumo aos píncaros dos golpes, quando igualmente se foge ao exterior em cuecas dolarizadas. Grita-se, não quem ganha quem perde, nos cocodecos como houvesse botado e nos cucurucus então a avisar o mundo. O mundo se perde nas tarefas do mundo: cria inventa intenta lamenta corrige – e não se corrrige. Enquanto o galinheiro esquece pia bica cisca esvoaça penas a dar pena no ramerrão. E o resto do mundo nadinha mudo se esquece do saber que supõe pleno; e não sabe que não deve ter lembrança, talvez nem conhecimento, do início de carreira  dum pleiteante ao congresso. Senador ou quem sabe deputado.

Itapecerica da Serra  julho  2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

(conto)Cucurucucu ausente

Naquela noite madrugada em extremo e quase extrema-unção no despertar da alvorada, naquela não se ouvia não se ouviu mais o seu despertador tocar... e já era tarde, cedo no madrugar trabalhadores e conduções e mais trabalhadores despejados e veículos a atravancar atrapalhar o trânsito na cidade grande.
Porque em contrário, dar-se-ia o contrário de Cucurucucu curucucar nas horas previstas, imprevistas aos dopados a dormir seu cansaço. Cucurucucar ele e então cucurucucavam outrem perto entre outros longe avisando a hora mais alto agora, longe os demais a avisar também, como que em cascata: todos a acordar se não todos homens todas galinhas.
Ah as fêmeas dele doidinhas para se espreguiçar a cocorocar seus cocodecos botar criar as crias em lindos pintos, bentos a elas – assim o terreiro a ganhar vida!  Morte, morte ao silêncio, que demais se assustava com pássaros e passos humanos, em gritaria mui barulhenta à poesia dos seres.
Cucurucucu até aí sempre o primeiro a despertar despertando outrem ali e todos mais, mais por uma característica sua que era de ao fim do aviso – quando todos encerravam o cucurucucar com 'us' normais ou comuns de se ouvir, ele com som bom de  'creque-creque' e não a imitar u-us.
Elas, madames ou senhoritas, nada obstando gostando acostumando gostar, já acostumadas. O que importava, o que lhes importando, era ter para manter a espécie no mundo o mando do macho em general.
General! cucurucucava velho marechal, supondo-se homem pra valer.
E assim tempos, pelos tempos dos tempos. O tempo a se escorrer num até.
Daí – em aquela noite a se acabar na alvorada às aves todas e à toda gente – se fez silêncio.
Outrem ali, lá pra lá de lá outros avisaram, gastaram as hastes de seus despertadores – em vão: Cucurucucu não arrespondeu, não respondeu não correspondeu aos insultos. Silêncio.
E a alvorada acabou e o dia veio e se fortaleceu, riu-se o sol e também se rindo os sons.
Os homens (mui mais as mulheres dos homens) os homens argumentaram nos seus argumentos com novo argumento, o de que as galinhas já não punham quase, quase nem pinto em prometedores frangos e frangas; o terreiro meio derrotado.
A panela chiou, após fraco e depois mais no menos até parar a pressão.
E, se não fez o silêncio ajudando na alegria da refeição regada a cerveja aos grandes e refrigerante aos pequenos, também não fez silêncio no almoço dos homens.

Itapecerica da Serra, julho 2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

pensamento4186.A gente chega numa altura na existência, em que não pode evitar falhas e faltas mas a conviver com elas, acostumar-se com tais presenças, presentes diário.  outubro2016

pensamento4187.O homem não vale apenas por suas vitórias; mas talvez mais ainda por suas lutas no que provoca suas derrotas.  outubro2016


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

(conto) Marcha

Marcha. “Acelerado, marche!” grita o homenzarrãozinho fardado não-fardado, nada obstante a imprecisão do tempo, da hora, do homem, do inadequado pensar no pensamento. E eles ouvem, ou não ouvem, havendo por bem as ameaças da chefia no sentido da ordem, ordem sem sentido aos que acordaram antes do sol nascer. Marche! insiste, marche. Marcha um mundo inteiro no mundo e no mundo do imprevisível a assinalar os tacões no chão em fúria de invasão. Ou não. Marcham e ecoam e infundem coturnos as preocupações os temores, e cada vez mais nos medos concretos que desabam em suor em horror e em lágrima de sangue, nem sempre de cor avermelhada nem sempre concreto num concreto de se ver pegar manusear quiçá desprezar, podendo... Marche! E cheira à pólvora, mesmo que virtual. O virtual que se esparrama por todo um orbe já de si sofrível e sofrido; contudo não conseguindo ver se não fumaça; ainda inconsistente mas com poder consciente que dá o medo do que se não enxerga e apesar disso uma temeridade... Marcha, marcham indecisos batalhões se não visivelmente dirigidos, guiados por mentes e forças imponderáveis; as do ódio e as da incompreensão rumo a uma simples interrogação. Pior: liderados por uns seres loucos loucamente administrados pelo tempo e mais ainda nesse menos – concentrando tudo num chefe de tropa fora da proposta do seu tempo. Quem a apertar a ordem no teclado! quando! quanto! onde! nunca sabendo o sofrido orbe. Nem medindo as consequências do inconsequente. O resto, havendo resto é certo, o incerto na imprensa metediça ou na voz rouca louca alta ao corpo em marcha; ou aquele ‘certo’ já desfigurado na contramão na concentração num pelotão sem cérebro e automático à grita dramatizada dum homenzinharrão. “Acelerado” grita a grita insistentemente ao desaparecer das pedras sobre pedras.
Marília  fevereiro 2017











          

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Tem Multa?

A primeira pergunta que vem à mente, diante de um trânsito embaraçado congestionado atrapalhado duro de engolir, é se tem multa. Mas não devia ter não. Mesmo que não se tratasse do Sr.Macarrão.
Uma figura expressiva na sociedade, se bem que novo-rico notório e um pouquinho exagerado. Bastante. O qual, a mulher, bem entendido a esposa dele, não se podia falar sobre as outras, essa não se conformava em vida de pobre ter aguentado viver espremida, sempre a exigir (cansada tanto implorar) uma cozinha à altura dela admirável dona de casa, enquanto o marido vivia fora de casa e nem sentia o drama. De repente enricou, coisas de loteria ou negócios escusos, ela não bem preparada para tal. Se pegou a poder exigir de fato uma cozinha daquelas enormes. E vai que o marido, o esposo dela, o Dr.Macarrão, virou doutor com secretária e tudo, exagerando um pouco, deu-lhe não só uma bela mansão porém palácio verdadeiro, com criados e o tudo mais. Onde a distinta senhora gozava à vontade a tal cozinha que pedira.
Enormíssima, ao exagero! Basta dizer que as criadas, e mesmo um serviçal à disposição das coisas para alimento, elas eles se puseram a correr dentro da dita cuja, a fazer o do-fazer pra fazer bem feito. E dona Ciana, aí ela passou à Doutora Emerenciana, essa resolveu prover as distâncias com auxílio do esposo, o da macarronada, um pouco exagerado já se disse, o qual constatou males e instalou moderno sistema de trânsito, pois que motorizou toda criadagem no serviço do palácio. Para ir do fogão número um ao de número dois ou mesmo ao quatro, a Sebastiana (admitida por já possuir carteira de motorista, embora cozinhasse o frugal trivialmente) ela engatava primeira e saía, não obstante não desse a chegar à segunda marcha. A Francisca, branquinha muito enjoada e pernóstica, para se deslocar do armário de aço até ao embutido onde se depositava detergentes, ela necessitava sair em segunda mesmo não só para ir rápido como pelo fato de não conseguir engrenar a primeira marcha no câmbio, que era duro de entrar e só entrava raspando fazendo grrrrrnn; e dirigia aos trancos e barrancos. Contudo apenas havia mais um veículo no trânsito da cozinha emenrenciana; veículo pequeno se deve falar, assim como eram os demais; e tal veículo sendo usado ora pelo Manoel, espécie de pau-pra-toda-obra, ora pela Beladona (apelido, logicamente, pois constava na Profissional como ‘Josefa’) – ambos empregados  que certamente haviam tirado carta por telefone... E se ouvia o raspar câmbio, carros afogados (por excesso de gasolina, pois só o Manoel se afogava em álcool) enfim uma barulheira infernal e muita fumaça dos carros dentro da cozinha grandalhona de alegrar Doutora Emerenciana do Doutor Macarrão. Havia – para esclarecer melhor e a bem da verdade só deu-se uma ou duas apenas – havia trombadas e abalroamentos inconsequentes e consequentemente nomes feios longe da patroa (não se exige alta educação em criados, exige-se?)  tudo no trânsito da cozinha. Teve o esposo da Doutora de providenciar um guarda uniformizado e com semáforo manual a controlar o movimento da dita enormíssima cozinha!
Se resolveu o problema, não é sabido, ou até onde resolveu. Mas parece que não tinha multa. É. Nunca teve.

 Ribeirão Preto   fevereiro  1982
pensamento4269.Nenhum presídio, ou muro ou cadeado, consegue segurar por mais forte seja uma insignificante imaginação. Matá-la? nem a morte!  dezembro2016


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Estorieta Delas

É a quentura a envergonhar o inferno nos trópicos então sem vento. Ela, a mosca atrevida, a driblar a curiosidade doutras mil moscas e se senta perto, perto do grude de fruta banana laranja manga; beija, tenta beijar, beija o restinho cheiroso atraente e daí Ela, Ela? a língua, Ela beija antes e grita à outra “eu vi primeiro, é meu, vi primeiro”. Brigam se enfrentam na briga e Ela, Ela a dentadura, atinge morde prende as outras, tritura, descansa (não se sabe se em paz). Noutro dia é outro dia no dia de amanhã, manhã. Ela, Ela agora e por último, mesmo porque alguém tem que ter autoridade e acabar com possíveis desavenças, então impossíveis, Ela é a descarga. Fim de papo.

Marília   dezembro  2016 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

pensamento4261.O sonho é um absurdo que nos ocorre a dormir quando num cansaço ou quando um fora de ordem tiver acontecido desperto. Maior absurdo ainda o sonho a surgir no dia claro, como nesta época de crise nacional-mundial. Aí não apenas o absurdo admitido – é pesadelo ou ilusão burra...  dezembro2016