Encontro em Desencontro
Tomei aqueles extratos estragados de tempo na intempérie do tempo, meros fragmentos de papel velho seco imprestável soltos ao deus-dará na terra de ninguém... e foi aí notar notas anotadas também à solta, aqui num punhado de fragmentos de ideias (se ideias) e achei-as demais à imprestabilidade da terra, um solo estragável estragado no desmando pelas misérias do desentendimento no trato do terreno – aquilo de sempre: restos dos restos humanos, não atirados a esmo num propósito de sujar, não; porém sem além também os cuidados inerentes e devidos e, portanto, a área suja na sujeira marcada de sol, tal qual observava; enfim, num meio sujo e ao estrago e ao desleixo; assim apreendi prendendo nas minhas mãos os farrapos de folha de caderno de papel ordinário; então foi o me deparar com o escrito, escrito em letra tremida mas isto não a me chamar tanto a atenção como o teor. Deparei-me com algo talvez digno da melhor literatura; num misto da lavra dos mais grandiosos escritores da língua; e por outro lado e a fazer oposição nos seus contrastes, percebi a linguagem chula da ralé de um povo inculto e o mais bastardo que se possa apresentar. Minto. Neste ponto minto visto não flagrar nos fragmentos erros crassos nem o medonho disfarçado em texto se pondo decente. Que fosse legível, sem ferir olho ouvido olfato em fato provável provado à realidade (sem machucar a verdade, diria melhor e a bem dizer). Foi aí que formulei a conclusão – sim, qualquer ideia de conclusão inexiste pois que sempre humanos estamos a acabar, de vez, algo que muitíssimas vezes sequer apreendemos no seu todo. Descontemos a descontentar a todos; e partamos à conclusão apressada como fato consumado embora ainda a se consumar.
Tomei aqueles extratos estragados de tempo na intempérie do tempo, meros fragmentos de papel velho seco imprestável soltos ao deus-dará na terra de ninguém... e foi aí notar notas anotadas também à solta, aqui num punhado de fragmentos de ideias (se ideias) e achei-as demais à imprestabilidade da terra, um solo estragável estragado no desmando pelas misérias do desentendimento no trato do terreno – aquilo de sempre: restos dos restos humanos, não atirados a esmo num propósito de sujar, não; porém sem além também os cuidados inerentes e devidos e, portanto, a área suja na sujeira marcada de sol, tal qual observava; enfim, num meio sujo e ao estrago e ao desleixo; assim apreendi prendendo nas minhas mãos os farrapos de folha de caderno de papel ordinário; então foi o me deparar com o escrito, escrito em letra tremida mas isto não a me chamar tanto a atenção como o teor. Deparei-me com algo talvez digno da melhor literatura; num misto da lavra dos mais grandiosos escritores da língua; e por outro lado e a fazer oposição nos seus contrastes, percebi a linguagem chula da ralé de um povo inculto e o mais bastardo que se possa apresentar. Minto. Neste ponto minto visto não flagrar nos fragmentos erros crassos nem o medonho disfarçado em texto se pondo decente. Que fosse legível, sem ferir olho ouvido olfato em fato provável provado à realidade (sem machucar a verdade, diria melhor e a bem dizer). Foi aí que formulei a conclusão – sim, qualquer ideia de conclusão inexiste pois que sempre humanos estamos a acabar, de vez, algo que muitíssimas vezes sequer apreendemos no seu todo. Descontemos a descontentar a todos; e partamos à conclusão apressada como fato consumado embora ainda a se consumar.
Rapaz! falei (para
quem!? a todos os ventos:) rapaz, você é um exímio escritor, um engenhoso
prosador, um poeta de escol – e isto me lembrou, me lembro, que de poeta filósofo
e louco cada qual tem um pouco, afirma o dito popular. Rapaz, você honra os
textos mais puros desde os clássicos até chegar aos autores de hoje, salvos estes
com dificuldades imensas no imenso matracar da propaganda informática e pela
facilidade com que a tecnologia consegue esconder páginas que seriam obras-primas,
se se perdessem as chaves dos teclados e dos toques de telas nos celulares de
última geração.
Mas quê! para
quem! a quais ouvidos os lábios se intrometem?
Se – ah,
sempre tive pudor temor horror terror às partículas e aos condicionais, e nisto
bem presente o medo; ou não: sendo uma constatação substancial – se você se
visse, visto creio não se ver de boca na terra, quedo fulminante antes perante
o todo na sujeira do mundo, e após parado estático imóvel sentenciado ao
nada... nada vendo de olhos fechados, talvez lacrados pela noite do seu dia a
findar e já findo agora, no escuro, no tenebroso. Estando na posição de
dignificar a bondade dos homens que porventura se aventurem por estas plagas e
a encontrar um cadáver sem identificação, em não ser com a possível análise de
meros pedacinhos de papel barato velho gasto seco usado reusado manchado das
lágrimas do sereno no tempo em que imperava o sentimento!
Oh, nem um
sentimento por perto, e longe saber do que fora um morto vivo. Tornado um
destroço na migalha do tempo, o tempo a exalar seus hálitos, já deletérios...
Marília
setembro 2016
Alvíssaras! Felicito o autor pelo blog de estética singela como querem os olhos dos que privilegiam letras. E eis que a sua voz escrita, lançada a "todos os ventos", agora se entrelaça nesta imensa rede de tudo. Bem vindo! O texto de estreia é mirífico. Aguardaremos os que virão.
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