quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

(conto) Marcha

Marcha. “Acelerado, marche!” grita o homenzarrãozinho fardado não-fardado, nada obstante a imprecisão do tempo, da hora, do homem, do inadequado pensar no pensamento. E eles ouvem, ou não ouvem, havendo por bem as ameaças da chefia no sentido da ordem, ordem sem sentido aos que acordaram antes do sol nascer. Marche! insiste, marche. Marcha um mundo inteiro no mundo e no mundo do imprevisível a assinalar os tacões no chão em fúria de invasão. Ou não. Marcham e ecoam e infundem coturnos as preocupações os temores, e cada vez mais nos medos concretos que desabam em suor em horror e em lágrima de sangue, nem sempre de cor avermelhada nem sempre concreto num concreto de se ver pegar manusear quiçá desprezar, podendo... Marche! E cheira à pólvora, mesmo que virtual. O virtual que se esparrama por todo um orbe já de si sofrível e sofrido; contudo não conseguindo ver se não fumaça; ainda inconsistente mas com poder consciente que dá o medo do que se não enxerga e apesar disso uma temeridade... Marcha, marcham indecisos batalhões se não visivelmente dirigidos, guiados por mentes e forças imponderáveis; as do ódio e as da incompreensão rumo a uma simples interrogação. Pior: liderados por uns seres loucos loucamente administrados pelo tempo e mais ainda nesse menos – concentrando tudo num chefe de tropa fora da proposta do seu tempo. Quem a apertar a ordem no teclado! quando! quanto! onde! nunca sabendo o sofrido orbe. Nem medindo as consequências do inconsequente. O resto, havendo resto é certo, o incerto na imprensa metediça ou na voz rouca louca alta ao corpo em marcha; ou aquele ‘certo’ já desfigurado na contramão na concentração num pelotão sem cérebro e automático à grita dramatizada dum homenzinharrão. “Acelerado” grita a grita insistentemente ao desaparecer das pedras sobre pedras.
Marília  fevereiro 2017











          

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