(conto) Exagerinho em Dona
Tuntum
Antes
de mais nada tudo o que se pode adiantar nisso é que minha vizinha elinha do
apartamento aí de cima, fico por baixo, eu no título havendo cortado dela um
'tum' de sua brilhante coleção de tuntuns – essa corriqueiramente faz com o
saltinho quiçá com todo solado do sapato dia inteiro mil tuns, tum no vai tum
no vem... Bem, nem sei o quanto me anda andando ali em cima de mim aqui nesta
quitinete 663, a dela 773 no sétimo andar, a se deslocar pra lá pra cá me
irritando dia todo. Não. Isto já exagero meu, o caso dela é andar no seu andar
corrido depressa num voar quase, tem gente não sabe se mover devagar lerda
pacienciosamente e então machuca as orelhas da gente. Ora, não barulha apenas
de salto: tem outros desvios como o deixar cair a vassoura, o cabo dela, em
trófte no chão; e os trens de cozinha batidos derrubados amassados decerto;
decerto pois que nunca vi. Pior, ou melhor, nunca a vi. Somente ouço. Um dia...
Não
um dia, uma noite, de madrugada, rolava certa incerta bola, escutava isso inclusive
o tiúf da borracha de plástico a se conflitar com o solo! Daí me perguntei, a
vizinha naquela idade ainda (passada na idade) ainda a brincar com bola; e em
plena madrugada a me importunar! Claro, devendo ser uma criança como em visita
brincando, não poderia uma sobrinha? sei que a mulher é solitária.
Não consegui entender, só ouvindo seus saltos
em tuns na minha cabeça acima no pavimento de cima. Passou. Não passando minha
curiosidade.
Nesta
noite, na madrugada, acordei meu sonho com o pesadelo dela a andar pra lá pra
cá na laje no seu soalho certamente de piso frio cerâmico semelhando o de meu
apartamento. E isso me explicou um pouco essa nunca vista vizinha do andar de
cima nos seus tuntuns. É que desandou a conversar entre andanças numa fala alta
com outrem embora baixinho entre si (ela e outra, irmã em visita com a
filhota!? não soube). Isso quebrando o silêncio da madrugada e virando pesadelo,
meu pesadelo; visto não pararem não paravam o dialogar...
Bem,
tem também alguém nisso longe agora, lá em cima nesta torre de cimento na
megalópole doida.
Supus
que a mana houvera loguinho tornado à sua casa – anteriormente a imobiliária
proposto à mesma ceder um apartamento no vigésimo quarto andar de número 2024;
a postulante encrespara pelo número feio; então cederam-lhe o 223 lá embaixão.
Daí...
Daí
despencaram a continuar o diálogo em família, uma lá em cima outra debaixo no
segundo andar; a debaixo com a de cima por cima do meu dormir; e... não
importa: bateram aquele papo às minhas custas, em nome do meu pesadelo. Porque
quem a reencetar o sonho o sono o descanso após!? Além de ouvir arrastar com
certeza sua cama a vizinha (vizinha minha queridinha) e como então eu dormir,
no pesadelo de não conciliar mais o sono.
Ah
sim, para uma coisa serviu tal encontro neste meu desencontro. Fiquei ciente
que o dono da bola a filhota da mana, ela a trazer naquela vez aí em cima a
criança para brincar rolar gozar a dita bola, enquanto mamãe e titia a
pesadelar o vizinho debaixo. Por azar madrugada e as orelhas sendo as minhas.
São Paulo agosto
2019
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