(conto)Segunda, 5:12h
A antecipar o dia a noite findando a expor sua friagem;
sequer cri-cris sequer 'semissons' a ofender o silêncio nada sepulcral na área
limpa da madrugada; ao exato encostar dos ponteiros no décimo primeiro segundo,
ele fez seu trabalho sem exagerar na limpeza – ele candidato ao congresso, a
deputado se não falha a memória do esquecimento. Ele. Ela pôs a boca no trombone!
a assustar inclusive quem não estando a dormir... Estrilou e, imediato, se pôs
a cocorocar alto brabo correto mas não por haver posto o ovo, levado o ovo ou o
pinto ou o frango ou o futuro galo do terreiro; o seu antigo macho e o de todas
acabara antes na pressão da panela e fora substituído num empréstimo como homem
pelo outro do galinheiro vizinho – e olhe que era hora, oras, de gritar o dia
acordar da noite, a noite a bocejar já pois que o novo galo gritaria seu
anúncio a provocar outros terreiros a acordar o mundo às cinco e meia e às seis
e meia, assim fazendo o mundo iniciar suas atividades, os ponteiros despertando
a sociedade para as guerras as violências menores maiores nas bocas por aí.
Contudo tudo estacou num cocodeco assustado assustador! Embora a galinha a usar
somente de dia o cocodeco habitual de pôr, era agora de susto, de pavor mesmo
nessa hora experimental do postulante à cadeira no parlamento, senador ou deputado
– a rigor experimentozinho porque a partir dum galinheiro dormindo pacífico
silencioso inocente desguarnecido (até o cão de guarda a dormir-sonhar tendo
osso como travesseiro). Não obstante ela cocodecou alto, com susto e sem o bem,
levado o bem pelo proponente em treino às grandes metas parlamentares... e a
altura cocodecada despertou por sua vez o macho dum galinheiro perto. Desperto
este, aguarda tão só os ponteiros da cinco e trinta e despeja gritos e
lamúrias, o que acordando os demais longe a cucurucar nas imediações e no resto
do planeta, o planeta a se espreguiçar despertar brigões humanos às santas
tarefas do desentendimento e inclusive às tarefas de produção e de vida. O
galinheiro vira um pandemônio, a alarmar também o próprio postulante-aprendiz
visando altos postos políticos, o qual conduziu a bagagem na fuga cheia de inocentinhos
peludos penados pelados pelado tudo no roubo (ou somente afano). Dispara e
some. Isto novo aprendizado na aprendizagem rumo aos píncaros dos golpes,
quando igualmente se foge ao exterior em cuecas dolarizadas. Grita-se, não quem
ganha quem perde, nos cocodecos como houvesse botado e nos cucurucus então a
avisar o mundo. O mundo se perde nas tarefas do mundo: cria inventa intenta
lamenta corrige – e não se corrrige. Enquanto o galinheiro esquece pia bica
cisca esvoaça penas a dar pena no ramerrão. E o resto do mundo nadinha mudo se
esquece do saber que supõe pleno; e não sabe que não deve ter lembrança, talvez
nem conhecimento, do início de carreira dum
pleiteante ao congresso. Senador ou quem sabe deputado.
Itapecerica da Serra
julho 2017
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