sábado, 5 de agosto de 2017


(conto)Segunda, 5:12h

A antecipar o dia a noite findando a expor sua friagem; sequer cri-cris sequer 'semissons' a ofender o silêncio nada sepulcral na área limpa da madrugada; ao exato encostar dos ponteiros no décimo primeiro segundo, ele fez seu trabalho sem exagerar na limpeza – ele candidato ao congresso, a deputado se não falha a memória do esquecimento. Ele. Ela pôs a boca no trombone! a assustar inclusive quem não estando a dormir... Estrilou e, imediato, se pôs a cocorocar alto brabo correto mas não por haver posto o ovo, levado o ovo ou o pinto ou o frango ou o futuro galo do terreiro; o seu antigo macho e o de todas acabara antes na pressão da panela e fora substituído num empréstimo como homem pelo outro do galinheiro vizinho – e olhe que era hora, oras, de gritar o dia acordar da noite, a noite a bocejar já pois que o novo galo gritaria seu anúncio a provocar outros terreiros a acordar o mundo às cinco e meia e às seis e meia, assim fazendo o mundo iniciar suas atividades, os ponteiros despertando a sociedade para as guerras as violências menores maiores nas bocas por aí. Contudo tudo estacou num cocodeco assustado assustador! Embora a galinha a usar somente de dia o cocodeco habitual de pôr, era agora de susto, de pavor mesmo nessa hora experimental do postulante à cadeira no parlamento, senador ou deputado – a rigor experimentozinho porque a partir dum galinheiro dormindo pacífico silencioso inocente desguarnecido (até o cão de guarda a dormir-sonhar tendo osso como travesseiro). Não obstante ela cocodecou alto, com susto e sem o bem, levado o bem pelo proponente em treino às grandes metas parlamentares... e a altura cocodecada despertou por sua vez o macho dum galinheiro perto. Desperto este, aguarda tão só os ponteiros da cinco e trinta e despeja gritos e lamúrias, o que acordando os demais longe a cucurucar nas imediações e no resto do planeta, o planeta a se espreguiçar despertar brigões humanos às santas tarefas do desentendimento e inclusive às tarefas de produção e de vida. O galinheiro vira um pandemônio, a alarmar também o próprio postulante-aprendiz visando altos postos políticos, o qual conduziu a bagagem na fuga cheia de inocentinhos peludos penados pelados pelado tudo no roubo (ou somente afano). Dispara e some. Isto novo aprendizado na aprendizagem rumo aos píncaros dos golpes, quando igualmente se foge ao exterior em cuecas dolarizadas. Grita-se, não quem ganha quem perde, nos cocodecos como houvesse botado e nos cucurucus então a avisar o mundo. O mundo se perde nas tarefas do mundo: cria inventa intenta lamenta corrige – e não se corrrige. Enquanto o galinheiro esquece pia bica cisca esvoaça penas a dar pena no ramerrão. E o resto do mundo nadinha mudo se esquece do saber que supõe pleno; e não sabe que não deve ter lembrança, talvez nem conhecimento, do início de carreira  dum pleiteante ao congresso. Senador ou quem sabe deputado.

Itapecerica da Serra  julho  2017

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