terça-feira, 27 de novembro de 2018


(conto) Estima animal ao Animal

É preciso ser uma pessoa da época. Por essa razão comporto-me como um igual, em falta dos semelhantes... Daí pensá-lo...
Digo do meu animalzinho de estimação aqui no bairro, uma vila assim... assim como? uma que não sabe se rica se pobre neste mundo onde puja a miséria.
Então, neles, na vila no bairro na urbe cosmopolita e de população talvez a exagerar no item indiferença; neles uma diferença (tomo por base as cidadezinhas e o campo onde existem ou existiram comadres e gente do povo a bater papo): na metrópole todos os que pensam e se pensam como igual, todinhos levam seus animais a passear.
Portanto não firo a decência levando o meu a farejar o mundo. O mundo aí à nossa disposição, antes a passar pelas lojas pets com suas rações seus veterinários.
Agora hora de ir mostrar nosso mundo ao mundo de nosso animal.
O de sempre. Coleira, corda, plástico... saco plástico. Saco plástico pra quê! ora ora pra quê, a fim ser o sanitário manual ou itinerante ou receptor das fezes do animalzinho. Elinho quase só ele não sendo de plástico neste mundo de plástico ao exagero, pois que se descobriu mesmo a poluição de fragmentos plásticos nas águas do mar; na terra passeio meu animal tal qual outrem.
Os bichos se veem se encontram se cheiram e cheiram o poste a árvore onde quase sempre tem algum embrulho de excrementos animais, largados ou esquecidos ou cuidados do frio, visto haver mil montes livres à beça para se pisar. Se contatam e uma que outra vez se rosnam. O meu não.
Ah felicidade, meu animalzinho vai – acorrentado na tira onde preso desde meus punhos até seu pescoço – segue por aí a aspirar o ar 'puro' do aglomerado urbano poluído. Com um senão:
Uma vez percebi, a falar de homem para homem com meu animalzinho – que não mais podia controlá-lo igual antigamente, ele é quem me arrastava grandalhão...
Contudo, quer dizer embora o senão, é amigo dos amigos. O comum no normal que é o se farejar se sorrir de cauda e a seguir olhar o mundo em volta.
Volto a me preocupar com meu bicho, qual outrem, outrem sendo homens e mulheres, novos e velhos seres; a conversar (de novo de homem para homem) e a sondá-lo a vigiá-lo, num diálogo franco em que nos metemos pelas vias públicas. Distraídos, chegamos inclusive a quase pisar não os montes porém montes humanos de gente desgraçada a poluir o solo burguês; molambos a dormir na calçada. 'Igualzinho' jovenzinhos e idosinhos a tratar seus animaizinhos na rua. Sim mas no meu caso com agravante do volume; porque meu animal de estimação necessita muitos sacos plásticos pra limpar o chão sujo e já fedorento antes dele sujar; ele faz agora de montão; anteriormente comera às toneladas.
Ah sim, esquecia-me: nos últimos tempos os outros animaizinhos de estimação dos humanos e as pessoas que os estimavam viviam consigo em cordialidade; todavia hoje, crescido o meu animal, todos temem gritam correm, inclusive do seu ladrado... será que leão ladra!?
Não sei. Sei que dá trabalho cansaço e preocupação.
São Paulo   novembro  2018

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