(conto) Adão versus Eva
(ou vice-versa)
Sentados a
exibir o traseiro num cocuruto ou elevação natural no solo qual improviso de
cadeira, para descanso e a pôr sua conversa amena ou confronto no confronto
exacerbado; sentados ao entardecer têm eles o abundar, Ela a bunda formosa
portentosa estrondosa inclusive; Ele a sua estreita murcha fina encolhida.
Bocas soltas como convém aos íntimos. Você, diz ele, é irrefletida. Veja
naquela questão da casa: nunca satisfeita, e ofereço a loca a toca a joça a
fenda braba da tapera na favela, longe disso opta mansão jardins mastins eletrificação
segurança! (Têm os macacos inabordáveis ali). Não tenho dinheiro, que será
dinheiro? não sei o ainda não criado. Reage Ela, também Você, oh teimoso, só
pensa carro caro coro corro a pensar; não lhe servem os pés, esses pés enormes
de andar e sustentar o corpaço a musculatura avantajada, não quer os veículos
de que dispõem como o burrico cansado mas útil e amigo. Pior. Pior afiança Ela
a voltar-se indignada ao esposo... Nisso vem um aparato em disparate: os
macacos ali no inferno não tão longe porém gritante. "Que Bunda!" guincham
e repetem repetem repetem soando parece que apenas o refrão "e unda e unda
e unda" a sumir no eco da floresta quase sem vegetal onde se abrigam se
agarram com dentes mãos pés rabos, dependurados.
Que diacho
falam os diabos "essa
cambada elegebetista"!
indaga Ele, Ela assopra "sei lá..." Bem, mal corrige o companheiro, já
a reatar discussão nunca amiga dos amigos – e o problema 'daquela uma', lembra
Eva ali fuzilando Adão... ora quem, a Bugia pô! Desconversa Ele. Ela pensa dele
"é,
disparado, um descarado"e aí retoma
nervosa ou indignada ou embaraçada, falo sobre aquela atrevida sirigaita... Ah
– Ele sorri enigmático – ora ora, a Secretária executa ordens no serviço no seu
trabalho. Trabalho!!! que é trabalho pergunta Ela. Ele, desconheço, não foi
inventado ainda, suponho que seja lá no Inferno nesse inferno da bagunça macaca
(e eles no refrão "que unda" que unda) naquele ali, não aqui no
Paraíso.
Ela: tá mal explicado.
Ele, ela
imagina que a gente só pensa em mulher.
Ela, ele
acredita que só penso casa.
Ele se mete na
imaginação dela. Casa mas sem criança é 'construção seca' nunca um lar!
Ela, Ela supõem
ele somente pensar em carro; pior, o melhor carro do ano; e pior ainda: pensa
mulher.
Se olham
desconfiados.
Não Ele não
Ela, Eles lá diante gozam "que Bunda!" e repetem e repetem num
quá-quá-quá interminável.
Estão os
macacos assim num blá-blá-blá inconsequente e desafinado, no despropósito
político da politicalha pra satisfazer a imprensa, quando...
Ela se levanta
se esperneia pula engraçado.
Ele, aqui não
tem barata! sua boba.
Ela, muda
estática horrorizada mostra as formigas mil formigas onde antes sentados a
brigar politicamente correto e... Ele (não os Macacos num quá-quá-quá e no
refrão "que Bunda!")
Ele se arregala
se alevanta se bate e pula em conjunto – porque família que pula unida
permanece unida.
Enquanto os
macacos repetem e repetem a gozação.
São Paulo julho
2019
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