sexta-feira, 5 de julho de 2019


(conto) Adão versus Eva (ou vice-versa)

Sentados a exibir o traseiro num cocuruto ou elevação natural no solo qual improviso de cadeira, para descanso e a pôr sua conversa amena ou confronto no confronto exacerbado; sentados ao entardecer têm eles o abundar, Ela a bunda formosa portentosa estrondosa inclusive; Ele a sua estreita murcha fina encolhida. Bocas soltas como convém aos íntimos. Você, diz ele, é irrefletida. Veja naquela questão da casa: nunca satisfeita, e ofereço a loca a toca a joça a fenda braba da tapera na favela, longe disso opta mansão jardins mastins eletrificação segurança! (Têm os macacos inabordáveis ali). Não tenho dinheiro, que será dinheiro? não sei o ainda não criado. Reage Ela, também Você, oh teimoso, só pensa carro caro coro corro a pensar; não lhe servem os pés, esses pés enormes de andar e sustentar o corpaço a musculatura avantajada, não quer os veículos de que dispõem como o burrico cansado mas útil e amigo. Pior. Pior afiança Ela a voltar-se indignada ao esposo... Nisso vem um aparato em disparate: os macacos ali no inferno não tão longe porém gritante. "Que Bunda!" guincham e repetem repetem repetem soando parece que apenas o refrão "e unda e unda e unda" a sumir no eco da floresta quase sem vegetal onde se abrigam se agarram com dentes mãos pés rabos, dependurados.
Que diacho falam os diabos "essa cambada elegebetista"! indaga Ele, Ela assopra "sei lá..." Bem, mal corrige o companheiro, já a reatar discussão nunca amiga dos amigos – e o problema 'daquela uma', lembra Eva ali fuzilando Adão... ora quem, a Bugia pô! Desconversa Ele. Ela pensa dele "é, disparado, um descarado"e aí retoma nervosa ou indignada ou embaraçada, falo sobre aquela atrevida sirigaita... Ah – Ele sorri enigmático – ora ora, a Secretária executa ordens no serviço no seu trabalho. Trabalho!!! que é trabalho pergunta Ela. Ele, desconheço, não foi inventado ainda, suponho que seja lá no Inferno nesse inferno da bagunça macaca (e eles no refrão "que unda" que unda) naquele ali, não aqui no Paraíso.
Ela: tá mal explicado.
Ele, ela imagina que a gente só pensa em mulher.
Ela, ele acredita que só penso casa.
Ele se mete na imaginação dela. Casa mas sem criança é 'construção seca' nunca um lar!
Ela, Ela supõem ele somente pensar em carro; pior, o melhor carro do ano; e pior ainda: pensa mulher.
Se olham desconfiados.
Não Ele não Ela, Eles lá diante gozam "que Bunda!" e repetem e repetem num quá-quá-quá interminável.
Estão os macacos assim num blá-blá-blá inconsequente e desafinado, no despropósito político da politicalha pra satisfazer a imprensa, quando...
Ela se levanta se esperneia pula engraçado.
Ele, aqui não tem barata! sua boba.
Ela, muda estática horrorizada mostra as formigas mil formigas onde antes sentados a brigar politicamente correto e... Ele (não os Macacos num quá-quá-quá e no refrão "que Bunda!")
Ele se arregala se alevanta se bate e pula em conjunto – porque família que pula unida permanece unida.
Enquanto os macacos repetem e repetem a gozação.
São Paulo   julho  2019


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