sexta-feira, 22 de março de 2019


(contolouco) – À beira da piscina

O sol das onze ali presente, presente ela, elas duas, não se tinham molhado na piscina e estando apenas esticadas deitadas a lagartear aos raios vivificantes; além do mais não havendo uma só mas duas piscinas na área do prédio milionário, no chão nobre dele. A menor de água rasa para os menores, as crianças; a grande sim grande, não enorme porém comprida ao uso dos grandes. Ali. Ali se bastavam as duas jovens, quase sem conversar ou somente a proferir banalidadezinhas – o mais era de menos, mais somente pelas fricções.
A mais velha ou mais amadurecida a esfregar naquela pele de aparência seca um linimento ou pomada incolor, enfim um protetor solar; o que bem pensado, talvez não devessem se expor após as dez. A menos velha ou menos experiente na vida igualmente aplicava defensores e corretivos e friccionava sem parar a epiderme. Friccionavam pois ambas na mesma ação. O sol nem ligava às operações das beldades e incidia sem descanso na área de descanso. Ou apenas de exposição de beleza. Quer dizer, assim pensavam as duas, caso pensassem.
Vaidade! sim, vaidade.
Não obstante não tendo público. Não. Sempre as janelas dos prédios remediados vizinhos e dum prédio pobre abertas; uma delas arreganhada; decerto por olhos machos puros santos. Queiram desculpar-me pela vergonha que passei, observando.
Elas não pareciam impressionar-se com olhos alheios cheios de sexo e se mostravam. Mostravam coisas belas elas e sem estar adormecidas. De fato, poderiam andar a dormir seu não-fazer. Não. Agora inclusive aumentava sua fricção uma mais que outra no uso das pomadas. Uma beldade, a se imaginar quem sabe 'miss qualquer coisa', se contrapunha à menos bela (opinião da própria miss) e se sobressaía nos braços ventre pernas rosto cabeça cabelo... nisto discutível visto a cabeleira curta e certamente tingida alourada. A companheira da companheira e mais interessada mesmo a derramar melhor os cosméticos no corpo, essa morena; se bem com mexas claras e igualmente de fios aparados, curtos. O gosto dos olhos varia e possível fosse até mais apreciada.
Os olhos e a janela abertos lá em cima ao lá embaixo continuaram no apreciar a cena. Contendo duas formas femininas a se untar com suas melecas.
Sem parar. Sem parar.
Parara uma, outra após (em nome da beleza?)
Daí se pondo a erguer-se e com certeza a tratar então doutros afazeres que não aplicação de gelatina ou coisa desse jaez, práticas corretivas e eficientes, supõe-se, a embelezar o exterior dos seres; o interior já caso impossível ou mais difícil a vaidosas criaturas se banhando.
Banhar-se não pôde uma. Não pôde também a outra. O peso das substâncias cosméticas pesando mais que o peso normal delas mesmas ou emperrando suas juntas de lata plástico e fio; tão longe dos exemplares belos puros santos de milênios atrás.
São Paulo   março  2019

Nenhum comentário :

Postar um comentário