(contolouco)
–
À beira
da piscina
O
sol das onze ali presente, presente ela, elas duas, não se tinham molhado na
piscina e estando apenas esticadas deitadas a lagartear aos raios vivificantes;
além do mais não havendo uma só mas duas piscinas na área do prédio milionário,
no chão nobre dele. A menor de água rasa para os menores, as crianças; a grande
sim grande, não enorme porém comprida ao uso dos grandes. Ali. Ali se bastavam
as duas jovens, quase sem conversar ou somente a proferir banalidadezinhas – o mais
era de menos, mais somente pelas fricções.
A
mais velha ou mais amadurecida a esfregar naquela pele de aparência seca um linimento
ou pomada incolor, enfim um protetor solar; o que bem pensado, talvez não devessem
se expor após as dez. A menos velha ou menos experiente na vida igualmente
aplicava defensores e corretivos e friccionava sem parar a epiderme.
Friccionavam pois ambas na mesma ação. O sol nem ligava às operações das beldades
e incidia sem descanso na área de descanso. Ou apenas de exposição de beleza.
Quer dizer, assim pensavam as duas, caso pensassem.
Vaidade!
sim, vaidade.
Não
obstante não tendo público. Não. Sempre as janelas dos prédios remediados
vizinhos e dum prédio pobre abertas; uma delas arreganhada; decerto por olhos
machos puros santos. Queiram desculpar-me pela vergonha que passei, observando.
Elas
não pareciam impressionar-se com olhos alheios cheios de sexo e se mostravam.
Mostravam coisas belas elas e sem estar adormecidas. De fato, poderiam andar a
dormir seu não-fazer. Não. Agora inclusive aumentava sua fricção uma mais que
outra no uso das pomadas. Uma beldade, a se imaginar quem sabe 'miss qualquer coisa', se contrapunha à
menos bela (opinião da própria miss)
e se sobressaía nos braços ventre pernas rosto cabeça cabelo... nisto
discutível visto a cabeleira curta e certamente tingida alourada. A companheira
da companheira e mais interessada mesmo a derramar melhor os cosméticos no
corpo, essa morena; se bem com mexas claras e igualmente de fios aparados, curtos.
O gosto dos olhos varia e possível fosse até mais apreciada.
Os
olhos e a janela abertos lá em cima ao lá embaixo continuaram no apreciar a
cena. Contendo duas formas femininas a se untar com suas melecas.
Sem
parar. Sem parar.
Parara
uma, outra após (em nome da beleza?)
Daí
se pondo a erguer-se e com certeza a tratar então doutros afazeres que não
aplicação de gelatina ou coisa desse jaez, práticas corretivas e eficientes,
supõe-se, a embelezar o exterior dos seres; o interior já caso impossível ou
mais difícil a vaidosas criaturas se banhando.
Banhar-se
não pôde uma. Não pôde também a outra. O peso das substâncias cosméticas pesando
mais que o peso normal delas mesmas ou emperrando suas juntas de lata plástico
e fio; tão longe dos exemplares belos puros santos de milênios atrás.
São Paulo março
2019
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