Um
Assalto (conto)
Andava um movimento, desusado ou comum, a rua fervilhava.
Não obstante sequer notou alguém a entrada de outro alguém, vários ladrões
talvez, no banco!
--É um assalto!
Gritou o rapaz, não era muito
velho, estatura mediana, parecia voluntarioso e disposto a fazer o quefazer a
todo custo. Apontou a arma ao público, uma bolacha enorme, dessa Champagne com
açúcar granulado por fora pra fazer pavê. Os seguranças se assustaram, os
funcionários se assustaram, o público presente àquela hora se assustou. E não
era para menos.
Então foi o sujeito se
aproximando, o povo abrindo passagem ante ameaçador ladrão empunhando arma
ameaçadora. Uma garota desmaiou, uma velha gritou sem força mas gritou, um senhor
deixou cair o charuto, um rapazote entregou ao facínora a maleta-executivo que
o mesmo não quis; todos os outros se encostaram ao balcão de atendimento
aguardando acontecimentos, ainda alguns levantaram os braços para imitar o
cinema, mesmo houve quem deitou-se no chão de barriga pra baixo, um rapazola
acostumado aos ladrões foi caminhando ao banheiro para ser refém e dar
entrevista depois. Todavia o homem dirigiu-se direto aos caixas, os quais já
preparavam dinheiro a pôr em sacolas trazidas pelas funcionárias experientes naquelas
coisas. O gerente, esse ficou sentado na sua giratória, tremendo em temor (mas
chamou a polícia, ou por isso mesmo).
E o meliante foi pago, centavo
por centavo, em notas falsas, fabricadas não se sabe por quem, ninguém perguntaria
isso. E se satisfez, disse tchau pras moças, estendeu o cumprimento a todos,
foi saindo. Os guardas estavam lá fora esperando por ele, para que não
precisasse pegar táxi, economizando assim alguns trocados. Estava tudo certo.
Tudo certo. Mas era esquisito.
Ribeirão Preto
janeiro 1982
Nenhum comentário :
Postar um comentário