terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Um Assalto (conto)

Andava um movimento, desusado ou comum, a rua fervilhava. Não obstante sequer notou alguém a entrada de outro alguém, vários ladrões talvez, no banco!
--É um assalto!
Gritou o rapaz, não era muito velho, estatura mediana, parecia voluntarioso e disposto a fazer o quefazer a todo custo. Apontou a arma ao público, uma bolacha enorme, dessa Champagne com açúcar granulado por fora pra fazer pavê. Os seguranças se assustaram, os funcionários se assustaram, o público presente àquela hora se assustou. E não era para menos.
Então foi o sujeito se aproximando, o povo abrindo passagem ante ameaçador ladrão empunhando arma ameaçadora. Uma garota desmaiou, uma velha gritou sem força mas gritou, um senhor deixou cair o charuto, um rapazote entregou ao facínora a maleta-executivo que o mesmo não quis; todos os outros se encostaram ao balcão de atendimento aguardando acontecimentos, ainda alguns levantaram os braços para imitar o cinema, mesmo houve quem deitou-se no chão de barriga pra baixo, um rapazola acostumado aos ladrões foi caminhando ao banheiro para ser refém e dar entrevista depois. Todavia o homem dirigiu-se direto aos caixas, os quais já preparavam dinheiro a pôr em sacolas trazidas pelas funcionárias experientes naquelas coisas. O gerente, esse ficou sentado na sua giratória, tremendo em temor (mas chamou a polícia, ou por isso mesmo).
E o meliante foi pago, centavo por centavo, em notas falsas, fabricadas não se sabe por quem, ninguém perguntaria isso. E se satisfez, disse tchau pras moças, estendeu o cumprimento a todos, foi saindo. Os guardas estavam lá fora esperando por ele, para que não precisasse pegar táxi, economizando assim alguns trocados. Estava tudo certo.
Tudo certo. Mas era esquisito.

 Ribeirão Preto  janeiro  1982

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