(conto)
–
Tudo por dinheiro
Tinha
um programa televisivo antigamente – diz ao conviva e de olho no filho, por sua
vez de olho na conversa paterna – tinha um cujo tema sendo 'tudo por dinheiro'
e... daí o menino corta o papo dos adultos "o que é dinheiro!" Sorriem
os amigos, vão retomar a fala mas repete o garoto "que é dinheiro!" É
não, meu filho, 'era' não existe mais faz séculos, e hoje...
O pequeno não deixa por menos e ao sorriso do
outro o genitor suspende o diálogo dos grandes, se agacha a chegar mais perto
da criança e explica.
Olhe
bem, dinheiro eram uns papeizinhos retangulares com uma série de carrancas de
políticos históricos. Com números a dizer sobre a importância simbólica do tal
dinheiro e outros dizeres que se liam... a maioria analfabeta não lia porém reconhecendo
pelo cheiro e o grude; as notas mais miúdas fediam mais, grudavam mais, rasgavam
mais fácil que as de grande valor, estas usadas pela classe rica...
Paiê,
e o dinheiro!
Ora,
isso o dinheiro – você nunca viu, nunca vi também, sei consultando textos...
Sim tem algo que entenderá, não entenderá o porquê se fazia tanta guerra pelo
poder e o pelo dinheiro no mundo. Entenderá o miúdo que qualquer menino usava
na questão 'dinheiro': as moedas.
Moedas! pai, que é moeda.
Bem.
Eram rodinhas de metal, feitas de ouro de prata de níquel de cobre e finalmente
pela desvalorização fabricadas com ferro; que faziam um barulhinho engraçado
quando caídas no chão...
Mas
que tamanho a moeda!
Espere,
vou fazer uma comparação que nada tem com o cartão plástico que todos usam hoje
para comprar vender pagar, função do antigo dinheiro. Eram as moedas redondinhas
e chatas – qual rodinha de carrinho. Aliás daria agora pra fazer as rodas do
veículo que lhe prometi outro dia; prometo também que se puder afanar quatro
delas num museu, trá-las-ei e inventamos o melhor brinquedo que já viu!
(O
amigo sorri, ouvindo, e o filho do amigo,sonhando:)
Como
encaixaremos as rodas, isto é as quatro rodas?
Fácil,
com uma furadeira furaremos no centro de cada uma, então enfiamos um eixinho,
vai por aí...
Foram
por aí. Daí o pai, cansado:
Filhote,
vai agora lá brincar com seu desafetozinho, que tenho aqui algo a tratar com
meu amigo.
O
pequeno chiou rosnou os conflitozinhos com o outrinho. O pai:
Deixa
disso, ele é seu priminho, filho adotivo do meu irmão caçula seu tio com o
companheiro dele; não é pra brigar. Caso não possa evitar choques, espante o
primo com o bicho-papão que é aquele chifrudo da outra galáxia que vem meter
medo na gente.
São Paulo março 2018
Nenhum comentário :
Postar um comentário