segunda-feira, 6 de maio de 2019


(conto) No Circo
          A plateia indócil; como segurar o público buliçoso e em expectativa! O mágico se desdobrando se tresdobrando no seu ato mas contido a saber a responsabilidade a respeitabilidade... sua preocupação se dividia, aqui na sua frente a pomba do número presa no chapéu; e o público...
          Respeitável público! anunciou.
          ... e o público a se mexer e mexer com os próprio assistentes. Tinha a irmã; o irmãozinho de chupeta; o Lulu agora sentado no próprio rabo e rindo decerto mas não se vendo a cauda a abanar; um menino vizinho; o Mimi porém Mimi dormiu e não há maior desfeita do público a um artista de escol que a indiferença do ronco, ronronava; e duas bonecas, uma de pano a outra mero sabugo de milho de supermercado. Ainda assim ouvindo-se palmas no espetáculo (menos do Mimi a dormir).
          Bem. O artista principal naquele número ansiado também na expectativa; enquanto, a enganar a assistência com trejeitos e salamaleques e, por que não dizer? trapaças. Isto porque a pomba se batendo dentro do chapéu do vovô, um chapéu à guisa de cartola; e a preocupação no improviso com sua roupa, a mais escura encontrada no armário das crianças.
          Ora, foi nisso alevantar o chapéu se debater a ave e imediato voar... Com retorno na alegria do publiquinho a gritar e bater palmas – aí ela chegou!
          Ela? a Teresa. "Crianças, hora do banho e do almoço".
          E com ela... "não tem choro, sua mãe deu ordem e pronto!"
          Além de haver menos gente, desfalcando o espetáculo, pois a genitora do vizinho o gritara. O Mimi não viu não despertando no desmancha-prazer da gente adulta. S.Paulo  abril  2019

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