terça-feira, 1 de novembro de 2016

Coisas do Tempo

         Não o tempo louquinho para chover secar aquecer ventar esfriar obrigar a gente se esconder se defender, entender ao menos, menos louco ser o tempo. Não. O nosso tempo com as coisas de agora, agora que nem o agora entende o entender da juventude no controle das coisas. Ou no abuso. Nem tão jovens ambos no casal: dir-se-ia passados no tempo sem serem velhos qual idosos de terceira idade; ele quase que sim não ela, ela “ainda boa”, aqui linguajar coloquial bastardo dum vizinho irreverente e tal e coisa.
         Assim as coisas.
         Assim ela bela e mais bela no seu pensar, não tão na opinião da oposição, essa oposição ótima a observar alguém no restaurante caro ou só movimentado no luxo. Esse alguém, belíssima apetitosa difícil ou fácil mas acompanhada, mal acompanhada, ruge quem vê, porém agora só. Essa nova bela nova indo vindo, a circular sua beleza no recinto enorme e de enorme luxo; aí o lixo...
         Aqui a velha gasta bela, ela amarela de amarelo, o amarelo a vesti-la, ela faz trinar o celularzinho do esposo – o qual não escuta pronto ou não percebe a vibração do instrumentinho, pois a olhar e acompanhar o vaivém daquele femeão...
         Indignada a de amarelo (de vermelho a circular no restaurante caro, caro, claro, a beldade observada pelo esposo dela, ela sabendo, mais amarela de raiva ou indignação...) indignada fica pelo não pronto atendimento doutro extremo da linha no celularzinho do homem se pensando macho pra valer. Indignada digita outra vez e vezes outras mais. Mais faz: usa do saber informático que toda gente usa hoje nas coisas usadas pelo tempo da gente. Não obstante encontra a barreira, ou do ocupado ou do não atendido; o que dá no mesmo. Preocupa-se a quase matrona (não admitido pela amarela matrona é lógico esse ilogismo humano). Então faz o que toda gente na habilidade e no costume do tempo faz: procura – agora tempo passado no tempo – procura outros endereços nas mídias eletrônicas do tempo de agora. Debalde. Ainda aqui não encontra nem desiste do atender do consorte; ou melhor nesse pior, encontra de sobra as referências digitadas desde seu celularzinho de última geração, encontra todos: nenhum responde! Quisera falar decerto em defesa da família sobre alguma lembrança do lar lá longe na geografia, quem sabe fulaninha beltraninho a netinha ou alguenzinho com febre lá na mansão... Mas o seu homem não atende! Ficaria e talvez tenha ficado mesmo mais preocupada pelo silêncio do companheiro... Pensa repensa imagina mil coisas na tendência pessimista da gente nas coisas que faz ou imagina fazer e, claro, sofre.
         Esgotados todos recursos num celularzinho a contatar o pretenso chefe da família para falar dos dramas na família lá longe, perto ela mais amarela, resolve gritarzinho ao seu marido doutro lado da mesa no restaurante, o macho ingerindo últimas gotas duma taça mas ao mesmo tempo de olho no femeão de vermelho, o qual se enlaça no seu acompanhante e entra na saída e some, somem no corredor, agora também percebidos por olhos amarelos, os quais finalmente conseguem o contato tantas vezes digitado por um polegar cansado.
Marília   outubro  2016











          

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