Coisas do Tempo
Não o tempo louquinho para chover secar aquecer ventar esfriar obrigar a gente se esconder se defender, entender ao menos, menos louco ser o tempo. Não. O nosso tempo com as coisas de agora, agora que nem o agora entende o entender da juventude no controle das coisas. Ou no abuso. Nem tão jovens ambos no casal: dir-se-ia passados no tempo sem serem velhos qual idosos de terceira idade; ele quase que sim não ela, ela “ainda boa”, aqui linguajar coloquial bastardo dum vizinho irreverente e tal e coisa.
Não o tempo louquinho para chover secar aquecer ventar esfriar obrigar a gente se esconder se defender, entender ao menos, menos louco ser o tempo. Não. O nosso tempo com as coisas de agora, agora que nem o agora entende o entender da juventude no controle das coisas. Ou no abuso. Nem tão jovens ambos no casal: dir-se-ia passados no tempo sem serem velhos qual idosos de terceira idade; ele quase que sim não ela, ela “ainda boa”, aqui linguajar coloquial bastardo dum vizinho irreverente e tal e coisa.
Assim as
coisas.
Assim ela bela
e mais bela no seu pensar, não tão na opinião da oposição, essa oposição ótima
a observar alguém no restaurante caro ou só movimentado no luxo. Esse alguém,
belíssima apetitosa difícil ou fácil mas acompanhada, mal acompanhada, ruge
quem vê, porém agora só. Essa nova bela nova indo vindo, a circular sua beleza
no recinto enorme e de enorme luxo; aí o lixo...
Aqui a velha
gasta bela, ela amarela de amarelo, o amarelo a vesti-la, ela faz trinar o
celularzinho do esposo – o qual não escuta pronto ou não percebe a vibração do
instrumentinho, pois a olhar e acompanhar o vaivém daquele femeão...
Indignada a de
amarelo (de vermelho a circular no restaurante caro, caro, claro, a beldade
observada pelo esposo dela, ela sabendo, mais amarela de raiva ou indignação...)
indignada fica pelo não pronto atendimento doutro extremo da linha no
celularzinho do homem se pensando macho pra valer. Indignada digita outra vez e
vezes outras mais. Mais faz: usa do saber informático que toda gente usa hoje
nas coisas usadas pelo tempo da gente. Não obstante encontra a barreira, ou do
ocupado ou do não atendido; o que dá no mesmo. Preocupa-se a quase matrona (não
admitido pela amarela matrona é lógico esse ilogismo humano). Então faz o que
toda gente na habilidade e no costume do tempo faz: procura – agora tempo
passado no tempo – procura outros endereços nas mídias eletrônicas do tempo de
agora. Debalde. Ainda aqui não encontra nem desiste do atender do consorte; ou
melhor nesse pior, encontra de sobra as referências digitadas desde seu
celularzinho de última geração, encontra todos: nenhum responde! Quisera falar decerto
em defesa da família sobre alguma lembrança do lar lá longe na geografia, quem
sabe fulaninha beltraninho a netinha ou alguenzinho com febre lá na mansão...
Mas o seu homem não atende! Ficaria e talvez tenha ficado mesmo mais preocupada
pelo silêncio do companheiro... Pensa repensa imagina mil coisas na tendência
pessimista da gente nas coisas que faz ou imagina fazer e, claro, sofre.
Esgotados
todos recursos num celularzinho a contatar o pretenso chefe da família para
falar dos dramas na família lá longe, perto ela mais amarela, resolve
gritarzinho ao seu marido doutro lado da mesa no restaurante, o macho ingerindo
últimas gotas duma taça mas ao mesmo tempo de olho no femeão de vermelho, o
qual se enlaça no seu acompanhante e entra na saída e some, somem no corredor,
agora também percebidos por olhos amarelos, os quais finalmente conseguem o
contato tantas vezes digitado por um polegar cansado.
Marília
outubro 2016
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