Conto cheirando
a crônica, em poucas palavras
É jovem a bela
que de pé no apinhado ônibus vejo nesta tarde cansada. Cansada, não da beleza
que se não cansa, da existência de uns vinte anos, se tanto, e não exibe nas
unhas roídas que se apegam à alça onde segurando nenhum esmalte; aliás tem
beleza sem pintura alguma, o que destoa e choca nos dias de hoje. Num dos dedos
aparece indelével o sinal deixado por aliança que se imaginava eterna e agora só
tem a marca na pele branca, mais branco o sinal que ficou. Trina o celular abre
a bolsa atende e responde desesperançada “largamos”. Completa: falta só pegar o
armário o fogão e o berço; vou com meu pai amanhã ver advogado. Desliga funga o
desalento e guarda aquele contato com o mundo, mudo, muda; desce no bairro.
Some no mundo.
Marília
novembro 2016
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