sábado, 19 de novembro de 2016

 Conto cheirando a crônica, em poucas palavras

         É jovem a bela que de pé no apinhado ônibus vejo nesta tarde cansada. Cansada, não da beleza que se não cansa, da existência de uns vinte anos, se tanto, e não exibe nas unhas roídas que se apegam à alça onde segurando nenhum esmalte; aliás tem beleza sem pintura alguma, o que destoa e choca nos dias de hoje. Num dos dedos aparece indelével o sinal deixado por aliança que se imaginava eterna e agora só tem a marca na pele branca, mais branco o sinal que ficou. Trina o celular abre a bolsa atende e responde desesperançada “largamos”. Completa: falta só pegar o armário o fogão e o berço; vou com meu pai amanhã ver advogado. Desliga funga o desalento e guarda aquele contato com o mundo, mudo, muda; desce no bairro. Some no mundo.
Marília   novembro  2016











          

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